Artista espanhol contra EMEL deixa 124 pessoas à espera de lugar

EMEL fechou piso superior do equipamento que custou quase um milhão mas há uma lista de espera e moradores sem lugar para o carro. Artista espanhol interpôs providência cautelar para encerrar o parque da EMEL.

O Parque de Estacionamento da Graça abriu ao público em fevereiro mas a providência cautelar interposta por um artista espanhol dono de um palácio mesmo junto ao equipamento obrigou a EMEL a encerrar o primeiro piso. Dos 60 espaços destinados a avenças mensais, há ainda 15 para atribuir e uma lista de espera que conta com 124 pessoas. Empresa municipal diz que estão a ser atribuídas "progressivamente".

O equipamento foi anunciado como mais uma resposta da autarquia à falta de estacionamento sentida pelos moradores do bairro da Graça, onde as ruas estreitas, o alargamento da zona pedonal e o boom de turismo ajudam a explicar a acrescida dificuldade de morar no bairro e precisar de usar o automóvel. Mas José María Cano, um artista espanhol - e ex-membro da banda de pop-rock Mecano - que comprou o Palácio Teles de Menezes em 2017 por 3,5 milhões não gostou que a EMEL colocasse um piso superior no parque já existente - e utilizado pelos Bombeiros - para o tornar num parque bastante maior (e com mais um piso) e de uso preferencial para residentes.

Na altura em que o parque abre, no início de 2019, a lista de espera para uma avença mensal (35 euros para moradores e 135 para não residentes) ia longa. Já o artista espanhol se tinha queixado que o piso superior do parque tinha vista direta para os jardins e terraços onde costuma dar festas para a elite espanhola. A empresa ainda colocou umas telas provisórias e encerrou o piso 1, mas não foi suficiente. Cano interpôs mesmo uma providência cautelar com vista a encerrar o parque em definitivo, uma pretensão que a EMEL, em resposta ao DN, disse estar à espera de não ser aceite.

Atraso na entrega das avenças aos moradores

Ao DN, a empresa esclareceu também que dos 60 lugares disponíveis no parque - apenas no piso 0 - "foram atribuídas, até ao dia de hoje, 45 avenças" e confirmou existir uma lista de espera de 124 pessoas.

Um dos residentes na Graça que leu a notícia do DN e a afirmação da EMEL em que ainda existiam "lugares de avença disponíveis (...) tanto para moradores como para o público em geral" questionou a empresa sobre a demora em lhe ser atribuída uma assinatura mensal - mora numa das raras ruas do bairro onde não existem parquímetros e por isso um local onde ainda é mais difícil encontrar um lugar vago. Inscreveu-se há mais de um ano - a lista de espera abriu ainda o parque não estava concluído - mas a resposta da EMEL foi a de que teria de aguardar e que ocupava o 47º lugar na lista.

A empresa indicou que foi decidido "nas últimas semanas considerando a demora da abertura da parte superior do parque" que as 15 vagas ainda disponíveis "serão atribuídas a residentes". Questionada sobre a razão da demora em atribuir essa avenças, a EMEL limitou-se a dizer que está a "a atribuir as assinaturas de forma progressiva", sem mais esclarecimentos.

Telas temporárias não impediram providência cautelar

As queixas contra a construção do Parque de Estacionamento da Graça também chegaram à Junta de Freguesia de São Vicente, com alguns moradores da Rua da Voz do Operário a acusarem o novo equipamento de lhes roubar a luz natural das suas casas. Mas só José María Cano terá avançado com a pretensão de encerrar o parque.

A EMEL confirma que o proprietário do palácio "interpôs no Tribunal Administrativo uma providência cautelar com vista a impedir a abertura ao público do parque de estacionamento". Uma medida tomada pelo artista espanhol mesmo após a empresa municipal ter iniciado "um procedimento que permitiu estudar a possibilidade de alteração do projeto arquitetónico do parque para acomodar as pretensões do vizinho, que este acompanhou", lê-se no comunicado da empresa.

Uma alteração que consta na redução da transparência das fachadas do parque e que tem como objetivo "impedir as vistas sobre os jardins do edifício confinante", esclareceu a EMEL ao DN.

Exclusivos