O Museu Grão Vasco faz 100 anos e Umberto Eco está convidado

O escritor italiano foi convidado a estar no encontro de especialistas a obra do mais importante pintor renascentista português.

Faz 100 anos este ano. A 16 de março de 1916 foi publicado no Diário do Governo o decreto que fundava o Museu Grão Vasco, em Viseu. A festa está marcada para esse mesmo dia com a abertura de uma exposição temporária sobre a criação deste lugar que devia representar a cultura da cidade e a música do Teatro Nacional de São Carlos. Mais para a frente, a instituição dedica-se a olhar o legado do pintor renascentista que lhe dá nome e em setembro reúne especialistas. Entre eles, o escritor italiano Umberto Eco.

Vasco Fernandes, estrela da casa, tem no museu viseense o seu maior acervo. "Tesouros nacionais", sublinha várias vezes o diretor, ao DN, antecipando a programação do museu para este ano. Dos 22 que recebem esta classificação, 19 são do pintor renascentista. Agostinho Ribeiro salienta as pinturas do retábulo da Sé de Viseu, a pala de S. Pedro e A Adoração dos Reis Magos. "O rei Baltazar, em vez de ser negro, é um índio brasileiro. É talvez a primeira representação de um índio sul-americano na arte europeia", nota. Terá sido produzida entre 1501 e 1506. Pouco depois do achamento do Brasil.

No princípio era a 1.ª República

Há uma exposição dedicada a explicar a criação do museu, com documentos e fotografias, de forma "interativa", segundo o diretor, na 1.ª República. "Com a reorganização do território, veio a ideia de colocarem em cada capital de distrito um museu que fosse o repositório do espírito cultural, artístico e empreendedor da época". Em Viseu, o primeiro diretor, Almeida Moreira, fez questão de incluir os artistas da época, o que explica a coleção de naturalistas do século XIX e início do XX. Sobre esta coleção será publicado um catálogo da autoria da professora Raquel Henriques da Silva.

O Grão Vasco nasceu nas dependências da Sé de Viseu. Mudou-se para o edifício atual em 1938. Entre 2001 e 2003 foi alvo de uma intervenção arquitetónica do arquiteto Souto Moura. Há um ano tornou-se, finalmente, museu nacional.

O acervo reunido pelo diretor-fundador provinha, como sucedeu por todo o país com a arte sacra, de instituições religiosas, igrejas da região e de depósitos de outros museus, da autoria de Vasco Fernandes, de seus colaboradores e contemporâneos.

Depois de Grão Vasco

Dos herdeiros artísticos do pintor (1475-1542) trata a exposição Depois de Grão Vasco a inaugurar em julho, em parceria com o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa, e os seus dois especialistas em pintura antiga, o diretor -adjunto José Alberto Seabra de Carvalho e o conservador Joaquim Caetano. "Para perceber a influência do legado de Vasco Fernandes, entre o Mondego e o Douro", explica Agostinho Ribeiro.

É no âmbito desta exposição que Umberto Eco foi convidado a estar em Viseu nos dias 8, 9 e 10 de setembro, dias em que se realiza o colóquio internacional sobre Vasco Fernandes e a sua obra. Além de Seabra de Carvalho e Joaquim Caetano, a mesa reúne a historiadora Dalila Rodrigues, uma das 14 pessoas que já ocuparam o cargo de diretor, e a especialista francesa Sylvie Deswartes que, segundo o atual responsável, tem investigado as encomendas do bispo de Viseu Miguel da Silva.

Vasco Fernandes, o misterioso pintor que dá nome ao museu

"Ele está envolto numa névoa". Quem o diz é o próprio diretor do Museu Grão Vasco, chamando a atenção para o pouco que se sabe sobre a vida de Vasco Fernandes, começando pela data e local de nascimento. As biografias apontam Viseu e os anos de 1475 e 1542 e a primeira referência ao seu trabalho aparece em 1501 (tinha 26 anos) quando trabalhou com Francisco Henriques na capela-mor da Sé de Viseu. Algumas dúvidas podem ser desfeitas com a publicação, este ano, do catálogo da sua obra da autoria da historiadora de arte Dalila Rodrigues, especialista em Grão Vasco.

[citaca:86 371 visitantes passaram em 2015 pelo museu, mais 7% do que em 2014]

Em outubro, e a partir da sua coleção de obras de Columbano Bordallo Pinheiro, o Grão Vasco promove o encontro com o trabalho do irmão, Rafael Bordallo Pinheiro, em parceria com o Grupo Visabeira, mecenas do museu e proprietário das Faianças Bordallo Pinheiro, nas Caldas da Rainha.

O museu também viaja. Grão Vasco: reservas em bruto mostra obras que não estão na exposição temporária no Centro Cultural de Cascais. "Posteriormente em outros locais".

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