Inês Pedrosa admite que Pessoa é "mais amado" no Brasil

A diretora da Casa Fernando Pessoa, Inês Pedrosa, afirmou hoje, dia em que se assinalam 77 anos desde a morte do poeta, que Pessoa tem mais força no Brasil do que em qualquer outro país, durante a estada em São Paulo para participar num debate sobre escrita.

"Fernando Pessoa é mais amado no Brasil do que em qualquer outro lugar do mundo, inclusive Portugal", disse Pedrosa à agência Lusa, por telefone.

De acordo com a escritora, não há dados estatísticos para apoiar esta opinião, mas a experiência à frente da Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, mostrou que mais de 60 por cento dos visitantes são brasileiros.

Outros sinais do interesse dos brasileiros pelo poeta, são as ligações recebidas do Brasil pela Casa a cada dois anos, de pessoas que agendam as férias para o período do congresso sobre Fernando Pessoa, afirmou Pedrosa.

Além disso, há constantes contactos de companhias brasileiras de teatro que realizam adaptações sobre a obra do poeta, disse a escritora.

"Em Portugal, sinto que a sombra de Pessoa é tão forte que alguns poetas querem afastá-la, percebendo que ela os obscurece. Em 1985, na época do 50.º aniversário do morte do poeta, surgiu até o bordão 'tanto Pessoa já enjoa', o que não aconteceria no Brasil", afirmou.

Pedrosa vai participar no próximo domingo num debate sobre escrita e reescrita, ao lado da brasileira Andréa Del Fuego (prémio Saramago 2011), na programação do Ano de Portugal no Brasil.

A conferência integra a Sétima Balada Literária, num evento que reúne escritores e artistas em São Paulo. A cantora Lula Pena também se apresenta no evento.

Pedrosa afirmou que a escrita no computador permite novas formas de edição e revisão do texto.

"Não há mais uma preocupação com qual é a primeira ou a terceira páginas. Depois, acabo apor alterar a ordem dos fatores", disse.

De acordo com a autora de "Fazes-me falta", o computador também ajuda a rever as expressões repetidas, para as alterar ou usar essa repetição como um efeito musical, com palavras de um personagem que acabam por dar ritmo a todo o livro.

Hoje assinalam-se 77 anos desde a morte de Fernando Pessoa.

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