BE leva a votos resolução no parlamento sobre aumento de verbas

O Bloco de Esquerda (BE) acusa o Governo de "erros muito graves" e vai levar a votos um projeto de resolução para valores que os 2009 para a Cultura sejam repostos pelo Programa de Apoio Sustentado 2018-2021 da Direção-Geral das Artes

O anúncio foi feito pela coordenadora do BE, Catarina Martins, à margem de uma visita à Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados da Amadora (CERCIAma), na cidade da Amadora, nos arredores de Lisboa.

O projeto de resolução, que não tem o valor de lei e é, na prática, uma recomendação ao Governo, obrigará a uma votação e a uma definição da parte do PS, partido do Governo, que tem o apoio parlamentar do Bloco, PCP e PEV.

O texto, afirmou Catarina Martins, vai "sugerir a reposição do financiamento ao nível" de 2009 que, admitiu, era escasso.

"O Governo já devia ter resolvido o problema e não há ninguém que compreenda que ele não se resolva", afirmou.

"O Ministério da Cultura fez erros muitos graves este ano" na questão dos concursos, disse, horas depois de o ministro ter anunciado, na RTP, mais um reforço de verbas e a revisão do modelo de financiamento.

Para a líder bloquista, o "Governo errou clamorosamente", "é bom que o ministro da Cultura reconheça o erro, é grave que tenha errado e devia ter prevenido".

O BE, lembrou, aliás, "chamou a atenção para esta questão várias vezes".

A solução "vai exigir mais financiamento, mais dotação financeira" ao nível do financiamento de 2009, que são verbas muito baixas, "quase inexistentes do ponto de vista do Orçamento do Estado".

"Lembro que para toda a cultura [o valor] é 0,2%, o que arredondado dá zero", ironizou.

E porque não "é preciso inventar a roda", é preciso "não deixar" que "fechem as portas" às "estruturas que trabalham com escolas, fazem as agendas culturais" ou "fazem com que cada um tenha acesso ao conhecimento, à arte ou poder pensar sobre si próprio".

Catarina Martins não considera que o ministro da Cultura tenha que retirar consequências políticas deste caso, mas afirmou: "Não basta ter um Ministério da Cultura. É preciso ter uma estratégia de política cultural."

Na segunda-feira, o BE pediu para ouvir no parlamento a diretora-geral das Artes e o ministro da Cultura sobre os resultados provisórios dos concursos ao Programa de Apoio Sustentado 2018-2021 da Direção-Geral das Artes, que considera não serem aceitáveis.

Os resultados provisórios dos concursos ao Programa de Apoio Sustentado 2018-2021 da Direção-Geral das Artes, conhecidos na sexta-feira, têm suscitado protestos de companhias e criadores.

Estes resultados garantem apoio estatal a 50 candidaturas das 89 avaliadas na área do teatro, ficando de fora 39 estruturas, como o Teatro Experimental de Cascais, o Teatro Experimental do Porto, a Seiva Trupe, o Festival Internacional de Marionetas e Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI), O Teatrão e Escola da Noite, em Coimbra, e o Centro Dramático de Évora.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.

Premium

João Taborda da Gama

Le pénis

Não gosto de fascistas e tenho pouco a dizer sobre pilas, mas abomino qualquer forma de censura de uns ou de outras. Proibir a vista dos pénis de Mapplethorpe é tão condenável como proibir a vinda de Le Pen à Web Summit. A minha geração não viveu qualquer censura, nem a de direita nem a que se lhe seguiu de esquerda. Fomos apenas confrontados com alguns relâmpagos de censura, mais caricatos do que reais, a última ceia do Herman, o Evangelho de Saramago. E as discussões mais recentes - o cancelamento de uma conferência de Jaime Nogueira Pinto na Nova, a conferência com negacionista das alterações climáticas na Universidade do Porto - demonstram o óbvio: por um lado, o ato de proibir o debate seja de quem for é a negação da liberdade sem mas ou ses, mas também a demonstração de que não há entre nós um instinto coletivo de defesa da liberdade de expressão independentemente de concordarmos com o seu conteúdo, e de este ser mais ou menos extremo.

Premium

Bernardo Pires de Lima

Em contagem decrescente

O brexit parece bloqueado após a reunião de Salzburgo. Líderes do processo endureceram posições e revelarem um tom mais próximo da rutura do que de um espírito negocial construtivo. A uma semana da convenção anual do partido conservador, será ​​​​​​​que esta dramatização serve os objetivos de Theresa May? E que fará a primeira-ministra até ao decisivo Conselho Europeu de novembro, caso ultrapasse esta guerrilha dentro do seu partido?