Férias de Natal nos passos do Presidente da República

Durante três dias as crianças mergulham na história, simbologia e protocolo do Palácio de Belém. Ontem andaram pela Sala das Bicas e demais dependências oficiais. Marcelo Rebelo de Sousa não estava.

"Sempre que o mastro tem o pavilhão presidencial significa que o Presidente da República está no Palácio", explica Nuno Fonseca ao grupo de nove crianças que ontem de manhã começaram três dias de atividades natalícias no Palácio de Belém. Na ausência do símbolo, uma bandeira verde com a esfera armilar e as quinas, concluíram que Marcelo Rebelo de Sousa não estaria pelo Palácio de Belém.

Só chegaria cerca das 12.30 para uma audiência com o líder do PCP, Jerónimo de Sousa, quando as crianças já estavam a fazer o seu postal de Natal, outra das atividades programadas pelo serviço educativo do Museu da Presidência para estas Férias de Natal em Belém. A manhã foi dedicada a conhecer o Palácio, casa oficial do Presidente da República desde 1910, como aprenderam os mais novos.

"Está a ser uma visita muito fixe", confidencia Carolina, uma das crianças, referindo-se à visita guiada pelos salas oficiais da Presidência da República, guiada pelos dois monitores do serviço educativo.

Na Sala das Bicas, o protocolo fica para os convidados oficiais. "Acho que já vi uma coisa parecida na televisão", diz Manuel, estudante do 7.º ano, sobre esta divisão, mil vezes fotografada e filmada, onde começam as explicações. Aqui se recebem os convidados oficiais ou passam céleres os políticos que o Presidente da República recebe e que não querem responder à comunicação social.

As crianças, entre os 8 e os 12 anos, sentam-se em círculo no chão de mosaico axadrezado para ouvir Ana Marta Guerreiro. A orientadora traz na mão uma série de fotografias que desfiam a História dos Natais passados aqui, de Américo Thomaz a Aníbal Cavaco Silva, passando por Jorge Sampaio, o presidente a quem se deve a fundação do Museu há 12 anos.

Este ano, um presépio de Delfim Manuel, e outros exemplares espalhados pelas salas oficiais, assinalam a quadra, em lugar da árvore de Natal, introduzida em Portugal por... "Alguém sabe?", pergunta a orientadora. Martim, aluno do 6.º ano, avança com a resposta. "Fernando Saxe-Coburgo Gotha, conhecido como rei D. Fernando". O apelido do monarca sai atabalhoado, mas a certeza é total. Martim é repetente nos ateliers que o Museu da Presidência leva a cabo nas férias das crianças.

Fala-se dos primórdios do palácio. Aqui ficava a quinta de Belém, comprada em 1726 por D. João V para ser casa de veraneio do rei. "Que tinha muito dinheiro do ouro do Brasil", completa Martim ,que já reconhece os presidentes das fotografias, começando em Américo Thomaz , que numa fotografia distribui presentes por várias crianças nesta mesma Sala das Bicas onde o grupo se reúne.

Ana Marta Guerreiro explica o porquê do nome - Sala das Bicas - apontando para as duas pequenas fontes que estão neste compartimento, adornadas com leões. "O leão é o símbolo de quê?", pergunta. "Do poder", respondem uns quantos. "Não é estranho fontes dentro da casa?", continua. Os miúdos assentem, e a monitora explica que, antigamente, esta era uma varanda. Detalhe curioso: se deitarem água aqui ela escorre para a rua, porque o chão é inclinado.

Das Bicas passa-se à sala de jantar, já posta para uma hipotética ceia, decorada a preceito pela Universidade Sénior do Seixal, e, depois, para a Sala Dourada, a Sala Império e a Sala dos Embaixadores, com passagem pela antiga capela, decorada com oito obras da artista Paula Rego. "Aqui foi onde o último rei de Portugal foi batizado", explica a monitora Ana Marta Guerreiro às crianças. "Também foi aqui que foi batizado o segundo filho do presidente António Ramalho Eanes".

O rei D. Carlos e a rainha D. Amélia viveram aqui algum tempo. "Aqui era a sala de jogos", explica Ana Marta Guerreiro. "Havia uma mesa de bilhar", conta, à passagem pela Sala Império, mostrando detalhes do mobiliário. Impõem-se as três tapeçarias de Portalegre que replicam os frescos de Almada Negreiros para a Gare Marítima de Alcântara, e contam a história da Nau Catrineta.

Os miúdos são imunes à azáfama que se começa a gerar nas salas do Palácio de Belém, enquanto se espera pelo Chefe de Estado. Não seria inédito que aparecesse para cumprimentar. Já o fez com as escolas que visitam o Museu, tirando selfies com os alunos.

Da varanda que alguns ainda se lembram de ter recebido a seleção nacional em julho ao jardim labiríntico, a visita ao Palácio de Belém, termina no Pátio dos Bichos. "Os reis, quando aqui viviam, tinham leões, tigres e elefantes nas jaulas para impressionar os convidados", relata Nuno Fonseca. É hora de volta ao quartel-general do atelier, onde, à tarde, se ia aprender a fazer uma bandeira.

Nos próximos dias, de manhã e de tarde, ainda há Belém, uma Viagem no Tempo, em torno da história desta zona de Lisboa, Frente a Frente com o Presidente, junto aos retratos pintados por artistas plásticos, Contos de Natal, e o Natal dos Sentidos, em que são chamados a cozinhar. Amanhã e quinta ainda há vagas disponíveis, na próxima semana só há vagas nos ateliers da manhã de dia 27, tarde do dia 28 e no dia 29, ao longo de todo o dia. Vinte é o número máximo de participantes.

Informações utéis:

Férias de Natal em Belém

Palácio de Belém (Praça Afonso de Albuquerque, Lisboa)

Para crianças entre os 8 e os 12 anos

8euro por atividade (manhã ou tarde) e 12euro por dia

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