Cristiano Ronaldo estará na mira do fisco espanhol pelo desvio de 60 milhões de euros, avança hoje o semanário Expresso, segundo o qual o treinador José Mourinho também esteve em investigação, embora já tenha resolvido a sua questão..O jornal português, que faz parte de um Consórcio Internacional de Jornalistas que teve acesso a documentos e informações cedidos pelo Futeball Leaks, avança que o Fisco espanhol está a investigar o jogador do Real Madrid por não declarar rendimentos de direitos de imagem. Diz ainda que cerca de 150 milhões foram desviados desde 2009 para offshores..De acordo com o Expresso, entre 2009 e 2014, Ronaldo recebeu 74,8 milhões de euros pelos seus direitos de imagem como jogador do Real Madrid e outros 75 milhões adiantados referentes ao período 2015 a 2020. No entanto, diz o semanário, apenas na declaração de rendimentos de 2014 é que este bolo foi mencionado, mais precisamente uma fatia deste bolo, 22,7 milhões, repartidos em dois pedaços..A investigação - liderada pelo alemão Der Spiegel, que partilhou os dados com o Consórcio internacional de jornais - indica que, diz o Expresso, segundo um contrato, entre 1 de janeiro de 2009 e 31 de dezembro de 2014, a Tollin Associates, uma empresa sediada nas ilhas Virgens britânicas, seria a depositária dos direitos de imagem de Ronaldo e este receberia todos os rendimentos recebidos pela sociedade, à exceção de 20 mil euros anuais..Um outro contrato, assinado dias depois, a Tollin transferiu a exploração dos direitos de imagem à Multisports & Image Management (MIM), uma empresa com ligações a Jorge Mendes e que tinha uma colaboração com a Polaris Sports, também com sede na Irlanda e controlada por Mendes. Ambas as empresas, avança o Expresso, negociariam os acordos publicitários em nome de Ronaldo, receberiam os valores correspondentes ao pagamento dos mesmos e, depois de deduzidas as comissões, o resto do valor seguiria para a Tollin. Assim, perdia-se o rasto ao dinheiro no caminho entre a Irlanda e as Caraíbas..Ao abrigo da chamada "lei Beckham" - extinta em 2010, mas que teve um período de transição que vigorou até 31 de dezembro de 2014, segundo a qual os estrangeiros residentes em Espanha pagavam uma taxa mais baixa sobre os rendimentos obtidos naquele país - os conselheiros de Ronaldo terão estimado que apenas 20% dos rendimentos de imagem provinham de Espanha, conta o Expresso. Assim, a Tollin encaixou 74,8 milhões pela exploração dos direitos de imagem do jogador: 63,3 do estrangeiro e 11,5 milhões de Espanha..Além disso, conta o semanário, só em 2014 esses 20% foram incluídos nas declarações de rendimentos. O nome da Tollin, que foi extinta a 31 de dezembro de 2014, nunca surgiu..Em Espanha, de acordo com o El Mundo, citado pelo Expresso, continua em aberto o processo relativo ao imposto sobre o rendimento de não residentes respeitante a 2011, 2012 e 2013, mas o caso dos offshores parece estar, se não esquecido, pelo menos em banho-maria..Entretanto, a Gestifute, do agente Jorge Mendes, que representa os interesses de Cristiano Ronaldo e José Mourinho, já tinha feito saber, na quinta-feira, no seguimento de uma notícia relacionada com este caso pelo espanhol El Confidencial, que ambos estão em dia com as suas obrigações fiscais, tanto em Espanha como no Reino Unido..[artigo:5530001].Na mesma declaração, enviada à Agência Lusa, a Gestifute sublinhava que Cristiano Ronaldo e José Mourinho nunca estiveram envolvidos em qualquer processo judicial relativo à prática de qualquer delito fiscal e ameaçava que qualquer insinuação ou acusação dessa natureza em relação a ambos será denunciada e perseguida nos tribunais..Ainda ontem, a Gestifute apresentou um certificado da Agência Estatal da Administração Tributária de Espanha, datado de 28 de novembro de 2016, a comprovar que o atual treinador do Manchester United tem as suas obrigações fiscais com o Estado espanhol em dia..[artigo:5530182].É que José Mourinho também terá usado offshores para ocultar ganhos publicitários, segundo avança o Expresso. De acordo com o semanário, o treinador português não declarou durante anos rendimentos com direitos de imagem ao serviço do Real Madrid, que passaram por sociedades offshores. O treinador português pagou tudo mais tarde para evitar um diferendo com o fisco espanhol.