O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, mandou este domingo colocar em alerta máximo as forças de dissuasão nucleares russas devido a "declarações agressivas" do Ocidente.."Ordeno ao ministro da Defesa e ao chefe de Estado-Maior que ponham a força dissuasora do exército russo em alerta especial de combate", disse Putin numa reunião televisiva com os seus chefes militares, citada pela agência AFP..A ordem foi dada no quarto dia de combates na Ucrânia, que Putin mandou invadir na quinta-feira.."Os países ocidentais não só estão a tomar medidas hostis contra o nosso país na esfera económica, como também altos funcionários dos principais membros da NATO fizeram declarações agressivas em relação ao nosso país", disse Putin durante a reunião, segundo televisão russa..Em reação, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia disse que Kiev não vai ceder nas negociações com a Rússia, acusando Putin de tentar aumentar a "pressão".."Não nos vamos render, não vamos capitular, não vamos desistir de um único centímetro do nosso território", declarou Dmytro Kuleba numa conferência de imprensa transmitida online..Os Estados Unidos, por sua vez, afirmaram que Putin está "a fabricar ameaças".."Este é um padrão do presidente Putin que temos visto ao longo deste conflito, que está a fabricar ameaças que não existem para justificar novas agressões", disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, ao canal ABC..A Ucrânia continua a resistir ao ataque russo e reassumiu o controlo de Kharkiv, a segunda maior cidade do país, enquanto no estrangeiro se reforça o envio de ajuda e se multiplicam as medidas para penalizar a Rússia..As forças ucranianas reassumiram o controlo de Kharkiv, disse hoje o governador regional, Oleg Sinegubov, horas depois de ter anunciado um avanço do exército russo e combates de rua na segunda cidade da Ucrânia.."Kharkiv está sob o nosso total controlo", escreveu Sinegubov nas redes sociais, citado pela agência francesa AFP..As autoridades ucranianas tinham anunciado de madrugada a entrada do exército russo em Kharkiv (norte) e o cerco de duas cidades no sul da Ucrânia, Kherson e Berdiansk, no quarto dia da invasão do país..Segundo o Ministério da Saúde da Ucrânia, pelo menos 198 civis, incluindo três crianças, foram mortos e 1.115 pessoas ficaram feridas desde quinta-feira. A ONU registou no sábado pelo menos 64 mortos entre civis e centenas de milhares de pessoas sem água ou eletricidade..Dezenas de militares ucranianos perderam a vida nos combates e Kiev, que reivindica ter matado 4.300 soldados russos e que hoje lançou um 'site' que permite que parentes de soldados russos conheçam seu destino. Moscovo mantém silêncio sobre as suas perdas..Aos ataques russos contra aeródromos e refinarias ucranianas, os Estados Unidos e a União Europeia, entre outros, responderam com o envio de armas e munições para a Ucrânia e o reforço de sanções para isolar ainda mais Moscovo..Vários países, incluindo Alemanha, França, Itália, países escandinavos e do Benelux, anunciaram hoje o encerramento do seu espaço aéreo a aviões russos. No sábado, o Ocidente excluiu numerosos bancos russos do sistema internacional de pagamentos Swift, essencial para os fluxos financeiros mundiais, uma decisão à qual o Japão aderiu hoje..Tóquio anunciou ainda que entregará mais armas à Ucrânia, como prometeram nas últimas horas vários países incluindo a Alemanha - que rompeu com a sua política tradicional de não exportar armas para zonas de conflito e vai enviar mil lança-roquetes anti-tanque e 500 mísseis terra-ar -- e Portugal, que mandará espingardas G3, granadas e diverso equipamento militar como coletes e capacetes..Washington prometeu uma nova ajuda militar de 350 milhões de dólares (310,5 milhões de euros)..O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que Kiev pediu ao Tribunal Internacional de Justiça, em Haia, que ordene a Moscovo uma cessão das hostilidades.."Vassylkiv, Cherniguiv, Sumi, Kharkiv e muitas outras cidades vivem em condições que não víamos (...) desde a Segunda Guerra Mundial", indicou, acusando a Rússia de considerar as áreas habitadas "como um alvo legítimo"..Zelensky elogiou a formação de uma "coligação antiguerra" internacional para apoiar a Ucrânia e convocou os estrangeiros para irem lutar "contra os criminosos de guerra russos" na "Legião Internacional" que está a ser formada no país..Desde quinta-feira, cerca de 368.000 refugiados fugiram dos combates na Ucrânia para os países vizinhos, segundo a ONU. A Polónia registou à volta de 156.000 e a Alemanha tornou gratuitos os comboios para todos os ucranianos em fuga..O Papa Francisco apelou à abertura "urgente" de corredores humanitários e pediu o fim do conflito..Mas o exército russo, cujo "heroísmo" foi saudado pelo Presidente Vladimir Putin, recebeu no sábado ordens para alargar a ofensiva, devido ao facto de Kiev ter recusado negociações..Entretanto, a presidência da Ucrânia anunciou que concordou em participar em conversações com a Rússia na fronteira com a Bielorrússia, perto de Chernobyl, após mediação do Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko.