Babilónia destruída pela guerra

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As tropas dos Estados Unidos no Iraque danificaram de forma irreparável as ruínas da antiga cidade da Babilónia, acusou o Museu Britânico num relatório divulgado ontem. John Curtis, conservador deste museu e especialista em arqueologia do Iraque, visitou o local no mês passado e confirmou a existência de «estragos consideráveis» na cidade que, apesar dos protestos dos arqueologistas, as tropas americanas e polacas utilizam há dois anos como aquartelamento.

As tropas americanas instalaram-se em Abril de 2003 na antiga capital da Suméria e coração de um dos mais importantes locais arqueológicos do mundo - é mítica a beleza da Babilónia, cidade da Torre de Babel e dos Jardins Suspensos, considerados uma das sete maravilhas do mundo. «Isto é equivalente a montar um campo militar perto da Grande Pirâmide, no Egipto, ou do Stonhenge, em Inglaterra», afirma o relatório, citado pelo jornal inglês The Guardian.

Entre os estragos, John Curtis sublinha os provocados no pavimento de ladrilhos da famosa Porta de Ishtar (parece que alguém tentou arrancar alguns desses azulejos, quebrando-os e abrindo fendas). Este especialista viu destruídas várias esculturas do rei Nabucodonosor, um pavimento com 2600 anos destruído por veículos militares, vestígios arqueológicos estilhaçados e espalhados pelo local e antigos armazéns transformados em trincheiras. A movimentação de areias arruinou por completo a hipótese de futuras pesquisas arqueológicas.

«Isto é terrível», afirmou Lord Redescale, o arqueologista que liderou a equipa de investigadores na Babilónia. «Isto é património mundial. Aquilo que as tropas americanas estão a fazer não destrói apenas a arqueologia do Iraque, na verdade destrói a herança cultural de todo o planeta.»

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