Zelensky quer apresentar a Biden já em setembro plano para terminar a guerra
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Zelensky quer apresentar a Biden já em setembro plano para terminar a guerra

Presidente ucraniano explicou que a operação que Kiev está a realizar na região russa de Kursk, onde as forças ucranianas ocupam parte do território, faz parte do plano para pôr fim à guerra. Zelensky disse que fará também chegar as suas ideias aos dois candidatos à Casa Branca.
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O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou esta terça-feira que pretende apresentar, já em setembro, ao seu homólogo dos Estados Unidos, Joe Biden, um plano para pôr fim à guerra com a Rússia.

"Penso que poderei apresentar este plano ao presidente Biden em setembro", disse Zelensky numa conferência de imprensa com dezenas de jornalistas, em Kiev, acrescentando que também fará chegar as suas ideias aos dois candidatos à Casa Branca, a democrata Kamala Harris e o republicano Donald Trump.

Zelensky explicou que a operação que a Ucrânia está a realizar na região russa de Kursk, onde as forças ucranianas ocupam parte do território, faz parte desse plano.

A abordagem consiste também em propostas económicas, bem como no papel que a Ucrânia deve desempenhar na arquitetura de segurança internacional e nas medidas que devem ser tomadas para que a Rússia aceite acabar com a guerra.

Questionado sobre a possibilidade de a Ucrânia ceder territórios em eventuais negociações, Zelensky respondeu que os ucranianos "não estão preparados" para esta opção, embora tenha reconhecido que a decisão dependerá da posição dos aliados de Kiev.

Neste sentido, o chefe de Estado ucraniano destacou a importância de decisões como o envio de mais aviões F-16 para a Ucrânia.

Segundo Zelensky, a Ucrânia utilizou estes aviões para abater parte dos 'drones' e mísseis lançados pela Rússia esta semana nos dois ataques que lançou contra várias regiões ucranianas. 

Zelensky anuncia que primeiro teste do míssil balístico ucraniano foi bem-sucedido

Zelensky, entretanto, anunciou esta terça-feira ter sido bem-sucedido o primeiro teste do míssil balístico de fabrico ucraniano, poucos dias após celebrar o uso de um novo drone-míssil de longo alcance.

"O primeiro míssil balístico ucraniano foi testado com sucesso", declarou o líder numa conferência de imprensa, em Kiev, congratulando a indústria de defesa do país, mas escusando-se a dar mais detalhes.

Estes mísseis têm uma trajetória predominantemente balística, ou seja, influenciada apenas pela gravidade e pela velocidade adquirida na propulsão inicial.

Há dois dias, Zelensky tinha comemorado a chegada ao campo de batalha de um novo drone-míssil de longo alcance, o 'Palianytsia', notando o sucesso da primeira utilização da nova arma.

Batizado numa referência a um pão ucraniano tradicional, o 'Palianytsia' "foi desenvolvido no país para destruir o potencial ofensivo" da Rússia, afirmou, nessa altura, o Presidente.

A indústria de defesa ucraniana, frequentemente apoiada por financiamentos ou parcerias ocidentais, expandiu-se significativamente desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022.

No final do ano passado, Zelensky tinha garantido que a Ucrânia produziria um milhão de drones em 2024 para responder às necessidades do exército.

Sobre a operação na região russa de Kursk, Zelensky caracterizou-a como operação defensiva e não uma ocupação.

"Não há uma ocupação pela nossa parte ao dia de hoje", afirmou o Presidente, que tem insistido que a ofensiva em Kursk, iniciada no passado dia 06, não visa ocupar regiões estrangeiras.

"Temos que defender o nosso território e estamos a usar todos os meios desde o território da Federação Russa para impedir que ocupem o nosso", justificou Zelensky sobre a operação em Kursk, onde, segundo o comandante-em-chefe das Forças Armadas Ucranianas, Oleksandr Syrsky, a Ucrânia controla cerca de cem localidades e quase 1.300 quilómetros quadrados.

Reportando-se à ausência de relatos de massacres, saques ou outros abusos por parte das tropas ucranianos na região russa em contradição com o exército russo na Ucrânia, o chefe de Estado afirmou: "Acredito que o nosso povo é simplesmente melhor".

"Nós comportamo-nos como seres humanos e é importante preservar isso", sublinhou.

O responsável acusou ainda o seu homólogo russo, Vladimir Putin, de preferir conquistar mais territórios ucranianos em vez de defender Kursk, referindo que, assim, a comunidade internacional, especialmente o Sul Global, percebe que esta guerra não é de natureza defensiva como tem argumentado o Kremlin.

O Presidente anunciou ainda a utilização de caças F-16, fornecidos pelos parceiros ocidentais, para repelir os últimos ataques aéreos russos em grande escala, ressalvando que o número de aeronaves recebidas não é "suficiente".

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