Regresso contestado da Cultura ao estatuto de ministério

A nova ministra da Cultura, Teresa Morais, na tomada de posse

A Cultura é promovida no executivo de Passos Coelho. Os artistas saúdam a medida mas criticam a forma

Mantenha-se Passos Coelho à frente do Governo ou venha António Costa, um dado é certo na política portuguesa: haverá Ministério da Cultura, quebrando um interregno de quatro anos. O regresso é acolhido com agrado pelas rostos da Cultura e pelas suas organizações, mas diminui quando se fala na escolha de Teresa Morais para o lugar. E deixa um vazio no Património Cultural já que o diretor-geral, Nuno Vassallo e Silva, é o novo secretário de Estado da Cultura (SEC).

Antigo diretor-adjunto do Museu da Gulbenkian, o dirigente, de 54 anos, é doutorado em História da Arte e estava na Direção-Geral do Património Cultural desde 2014. O mandato só terminaria dentro de três anos. Ele próprio defendia a existência de um ministro na pasta, disse ao DN na sua última entrevista, a 24 de setembro. "Como diretor-geral não me altera nada ser ministro ou não ser ministro. Como cidadão, como gestor cultural, creio que deveríamos ter um ministro, seja qual for o governo".

Neste cargo, Vassallo e Silva considerava que nada de essencial deveria mudar em 2016, mantendo-se, ou não, Passos Coelho como primeiro-ministro. "Nas grandes linhas, a DGPC tem de continuar a cumprir a sua missão. Por exemplo, o Museu Grão Vasco vai fazer 100 anos [em 2016]. É para nós algo muito importante. Há este projeto nacional que é terminar o Palácio da Ajuda e preparar a exposição das joias da Coroa, que é uma mais-valia cultural, identitária, primeiro, e depois, económica e turística. Essas grandes linhas, creio, serão acolhidas pelo próximo governo", defendeu.

Um ministério esperado

"O que não fazia sentido nenhum era não haver Ministério da Cultura", afirma o fadista Camané sobre o regresso deste ministério. "Faz sentido os músicos serem apoiados em tudo".

"Diria que é fundamental [um ministério da Cultura] mas não será este", diz Carlos Nobre, o músico antes conhecido como vocalista dos Da Weasel e hoje como Carlão. "Se as eleições não tivessem corrido como correram duvido que existisse Ministério da Cultura. Para mim, parece-me fumo para os olhos", diz ao DN. "Para os artistas em geral, a cultura tem sido posta para baixo do tapete nos últimos anos", justifica. Nem mesmo a falta de currículo da atual ministra, Teresa Morais, lhe merece comentário.

Teresa Morais, 56 anos, transita da última legislatura, onde ocupava a secretaria de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade, pasta que mantém neste executivo, é jurista, mestre em Direito, foi deputada e vice-presidente do grupo parlamentar do PSD responsável pela coordenação da área da Justiça e da Igualdade entre 2005-2011 e membro da comissão de reforma e reinstalação da Torre do Tombo, bolseira da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses (1989 e 1990).

Entretanto, no PS

"Solução de última hora", chama-lhe Gabriela Canavilhas, ministra da Cultura no último governo socialista (e pianista). "A ser verdade num governo em funções seria desrespeitador, sem ajuizar sobre a pessoa", diz, e explica: "Não tem qualquer currículo no sector da cultura. Vê-se que é uma solução avulsa que não respeita as expectativas do sector cultural."

As suas críticas, de resto, vão para lá do próprio ministério da Cultura. A ex-ministra da Cultura do governo de José Sócrates diz que "fazer um comentário a este Governo em qualquer das suas vertentes é reconhecer que vai ter existência à partida, o que não faz sentido. Não tem pertinência ajuizar das opiniões de Pedro Passos Coelho", critica.

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