Portas dedica-se à vida empresarial com olho em Belém

Os vice-presidentes do CDS Nuno Melo e Assunção Cristas são os nomes mais bem posicionados para a sucessão, com Mota Soares à espreita

Paulo Portas abandona a liderança do CDS, apurou o DN, para se dedicar a projetos empresariais (em áreas como a editorial) e para gerir os bens da família. Mas o líder centrista vai andar por aí e continuar influente no CDS, que já mexe com a sucessão: Assunção Cristas, a favorita de Portas, e Nuno Melo, o preferido das bases, são os mais bem posicionados. João Almeida excluiu-se.

Ao que o DN apurou, Paulo Portas sai mesmo (da liderança e do Parlamento) para se dedicar a projetos empresariais, não sendo de ignorar a rede de contactos que fez nos últimos anos na área da diplomacia económica e que o levou a autointitular-se de Oliveira da Figueira, o vendedor lisboeta dos livros de Tintim. Dar aulas na universidade também não está fora de hipótese. Outra possibilidade é ser comentador político, até como substituto de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI, mas deixando passar algum tempo para que não sejam feitas comparações diretas.

É o próprio amigo e dirigente centrista António Pires de Lima (ver entrevista ao lado) que isto "não é uma despedida política", pois "Paulo Portas é uma pessoa jovem e que ainda tem muito a dar à vida pública do país." Uma outra fonte explicou ao DN que Portas quer garantir até uma independência financeira que lhe permita candidatar-se a Belém daqui a 10 anos.

Paulo Portas já tinha avisado há algum tempo o antigo parceiro de coligação, Passos Coelho, da vontade de se retirar, mas o líder centrista apenas se comprometeu com o social-democrata a manter a liderança partidária, caso fosse governo.

Passos Coelho aproveitou ontem para classificar Portas como um "líder partidário carismático", destacando que "o país lhe fica a dever uma intervenção muito destacada e competente". Para o presidente do PSD, Portas é "um dos principais responsáveis por Portugal e os portugueses terem conseguido recuperar a credibilidade e a confiança".

Sem querer interferir noutro partido, Passos disse apenas sobre a sucessão de Portas que "o CDS-PP encontrará, tenho a certeza, um novo caminho de liderança", deixando a garantia que continuará a ser um "parceiro privilegiado do PSD".

A saída de Portas dá especial relevância ao congresso do CDS, que será agendado no Conselho Nacional de 8 de janeiro. No partido já se discute quem avança para a liderança, tendo os nomes mais falados (Assunção Cristas, Nuno Melo e Pedro Mota Soares) recebido várias mensagens de apoio ao longo do dia de ontem. O vice-presidente João Almeida também recebeu, mas retirou-se da corrida.

Num texto escrito na sua conta de Facebook, o antigo líder da Juventude Popular começou por explicar: "Como não gosto de tabus, prefiro falar no tempo certo, pela minha voz. Não ignoro as referências da imprensa a uma eventual candidatura minha e agradeço as manifestações de apoio que recebi para que essa candidatura avançasse." Porém, retirou-se da corrida: "Estou certo de que para isso há pessoas com vontade de concorrer e indiscutível capacidade para exercer o cargo. Terei todo gosto e empenho em trabalhar com quem o partido escolher". João Almeida anunciou, no entanto, que vai apresentar no congresso uma "moção de estratégia global".

Assunção e Melo os favoritos

Fonte centrista explicou ao DN que "o favorito do partido é Nuno Melo, mas tem o handicap de não estar no Parlamento. Já a favorita de Portas é Cristas, que tem o handicap de ser uma "cristã nova" no CDS".

Estes dois dirigentes da atual direção de Portas deverão ser as duas figuras com mais força na contagem de espingardas, à frente de Filipe Anacoreta Correia (da oposição interna a Portas, através do Movimento Alternativa e Responsabilidade).

Já o histórico do CDS Miguel Anacoreta Correia disse ao DN que além dos nomes de "primeiro balcão, há outros", do qual destaca um que teve uma "riquíssima prestação governativa: Adolfo Mesquita Nunes", lembrando que "às vezes, nos congressos, há surpresas".

Miguel Anacoreta Correia disse "respeitar" a decisão de Portas, mas acredita que o CDS "beneficiaria se houvesse alguma definição de dossiers importantes antes de se afastar". Disse ainda que não tem dúvidas que "Portas continuará a sua ação política, não sei se na TV, se no jornalismo, onde deverá fortalecer os valores do CDS e transmiti-los à sociedade portuguesa".

Anacoreta Correia - que esteve na direção de Ribeiro e Castro, a única que interrompeu, durante dois anos a presidência de Portas desde 1998 - disse esperar que "seja quem for escolhido, tenha condições de liberdade diferentes das que teve a liderança de Ribeiro e Castro que foi altamente condicionada". O centrista referia-se à forma como Paulo Portas se imiscuiu na vida do partido, mesmo não sendo líder.

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