70 mil no réveillon. A festa para esquecer cheias

Ruas e lojas limpas. Praia dos Pescadores deve lotar para ouvir Anselmo Ralph

Três horas de limpeza e a Baixa de Albufeira ficou de cara lavada e pronta a receber as 70 mil pessoas que a câmara prevê que estarão na cidade amanhã para receber 2016.

Durante 15 minutos a queda de 15 litros de chuva por metro quadrado fez recear o pior aos empresários que iam vendo o nível de água a subir. Durante algum tempo temeu-se a repetição das cheias de 1 de novembro. Mas o mau tempo passou depressa e durante a madrugada de ontem a limpeza deixou a cidade pronta para a festa. A estimativa de 70 mil pessoas avançada pela autarquia, com base nas reservas dos hotéis de Albufeira e arredores para a noite do réveillon, anima os comerciantes que depois de mais um momento de pânico já admitiam voltar a ver uma enchente na praia dos Pescadores, onde vai atuar o cantor Anselmo Ralph.

"Vamos ter um conceito muito português. Se a passagem de ano e o verão correrem bem esquecemos as inundações e só voltamos a lembrar-nos delas quando houver mais", sublinha o presidente da Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve. Vítor Guerreiro defende que as inundações de 1 de novembro "não podem ser esquecidas", reclamando a construção do projeto de retenção de água que está na "gaveta" há vários anos.

As chuvadas de novembro provocaram prejuízos que ascendem aos 20 milhões de euros e cinco milhões afetaram lojistas sem seguro. O dirigente alerta que "muitas destas pessoas não vão ter condições de continuar a atividade" - o número ainda não está apurado - depois de terem perdido praticamente tudo, desde o equipamento aos stocks.

Para esses comerciantes pede o apoio do projeto Comércio Investe, com comparticipação de 40% a fundo perdido, para remodelação dos estabelecimentos na parte da decoração. "O governo disseque a ideia era boa mas nada aconteceu", lamenta, enquanto entre lojas e bares se ouviam ontem críticas de quem passou a noite de vassoura e esfregona nas mãos para minimizar os estragos da chuva que caiu cerca das 21.00 de anteontem, à ordem de 15 litros por metro quadrado.

O Vegas Bar foi um dos exemplos, voltando a ficar inundado, com a água a subir perto de dois metros. Os comerciantes criticaram o estado da canalização, garantindo que a água se acumula com rapidez porque as condutas estarão sujas e não permitem escoá-la, mas o presidente da câmara, Carlos Sousa, garante que as canalizações "já foram desentupidas" e que o episódio de segunda-feira "nem seria notícia" se não tivessem ocorrido as cheias de 1 de novembro.

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