Socialistas europeus querem unir-se contra austeridade e populismo

António Costa recebeu Pedro Sánchez na sede nacional do PS

Pedro Sánchez esteve com António Costa em Lisboa à procura de apoio para construir uma frente socialista

O líder dos socialistas espanhóis esteve ontem em Lisboa reunido com António Costa à procura de apoio para formar governo e constituir uma frente socialista europeia contra as políticas de austeridade e os fenómenos populistas que emergiram com a crise.

Para isso, segundo apurou o DN, Pedro Sánchez quer alinhar-se com parceiros em Portugal, França, Itália, Grécia e Irlanda no sentido de reverter as políticas de austeridade e os seus efeitos na última década, por forma a tornar o projeto europeu viável por via de uma Europa mais social e virada para as pessoas.

Fontes socialistas disseram ao DN que a conversa entre Sánchez e o primeiro-ministro e secretário-geral do PS "correu muito bem", tendo o primeiro dito ao segundo que está empenhado em formar governo em Espanha, "embora reconheça que as circunstâncias são diferentes das de Portugal, uma vez que o Podemos não é o PCP ou o Bloco de Esquerda, já que é ideologicamente mais radical". Ainda assim, o líder dos socialistas espanhóis acredita "numa solução de governo à esquerda, partindo de um denominador comum: todos estão contra [o primeiro-ministro em exercício] Mariano Rajoy, que consideram o intérprete das políticas da 'troika'".

Em declarações aos jornalistas, após hora e meia de encontro com António Costa, Sánchez disse: "A Espanha precisa de uma mudança para ter um governo forte, progressista e com capacidade de diálogo, precisamente aquilo que não tem Mariano Rajoy. Uma vez mais dizemos "Não" a uma grande coligação entre o PP e o PSOE."

O líder espanhol garantiu ainda que, caso Rajoy falhe na formação de um novo governo, "o PSOE dirá "Sim" a uma grande coligação de governo entre forças progressistas, unindo todas as fraturas provocadas pelo executivo do PP ao longo dos últimos quatro anos". Em Portugal, notou, "António Costa e o PS compreenderam que, quando de umas eleições sai um Parlamento fragmentado, mas demonstrando uma vontade de mudança por parte das forças da cidadania, tal como também aconteceu em Espanha, é dever das forças de mudança entenderem-se", sustentou o espanhol, que chegou às 14.35 à sede do PS, onde foi recebido calorosamente à entrada por Costa, que soltou em castelhano um "então hombre".

A intenção de uma "coligação de forças progressistas" declarada por Sánchez em Lisboa não tardou a chegar a Madrid e aos ouvidos de Podemos e Ciudadanos, os terceiro e quarto partidos mais votados nas eleições de 20 de dezembro e, por isso, peças essenciais no futuro governativo de Espanha. O líder do Ciudadanos afirmou que em Espanha não é possível uma aliança semelhante à de Portugal, ou seja, um entendimento entre os partidos de esquerda. "Em Portugal não há nenhum partido que queira separar um país em nenhum acordo de governo", declarou Albert Rivera, referindo-se à realização de um referendo na Catalunha, imposta pelo Podemos como condição para uma aliança.

Do lado do Podemos a mensagem é de iniciar negociações com o PSOE para "falar de política" e "não de cadeiras" uma vez que não tencionam apoiar "de forma ativa ou passiva" um novo governo do PP. Íñigo Errejón, o número dois do Podemos, disse ainda que estão dispostos a "falar de tudo com todos", sublinhando que "estar de acordo não é condição para negociar".

Já a vice-primeira-ministra espanhola alertou para os riscos para a unidade do país, bem como para a sua recuperação económica. "Os espanhóis foram claros nas urnas. A sua opção para governar é o PP", afirmou Soraya Sáenz de Santamaría, acrescentando que "um pacto de perdedores" seria "a pior solução para Espanha".

A intenção do líder do PSOE de seguir o exemplo português também não passou ao lado do presidente da Comissão Europeia. Questionado, em Amesterdão, sobre o que entende por governo estável, Jean-Claude Juncker afirmou: "Isso são os políticos espanhóis que têm de decidir, não eu. Mas normalmente é fácil de saber." E é o executivo de Costa em Portugal um bom exemplo de governo estável? "Isso ainda está para se ver", respondeu.

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