Uma vitória natural depois de resistir aos sobressaltos

Foi um triunfo mais natural do que tranquilo, mas o Benfica soube travar a reação do Dínamo e passou, como lhe competia, em Kiev. Marcaram Salvio (de penálti) e Cervi

Foi uma vitória limpa - justa e feliz - mas com alguns sobressaltos. Ontem, com um triunfo mais natural (tendo em conta a qualidade de ambas as equipas) do que tranquilo, o Benfica passou em Kiev (0-2, golos de Salvio e de Cervi) e manteve-se bem vivo na luta pelo apuramento para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões. No entanto, com o surpreendente triunfo do Besiktas em Nápoles (2-3), as contas continuam apertadas para as águias.

A visita ao Dínamo Kiev - para a 3.ª jornada B da Liga dos Campeões - tinha tudo para ser uma noite tranquila, quando, ao nono minuto de jogo, o Benfica se adiantou no marcador. Todavia, aos poucos foi-se intranquilizando, mais por inércia benfiquista do que pelo mérito ucraniano. Nos momentos decisivos, a reação das águias chegou para manter as distâncias e confirmar um importante triunfo - o primeiro da equipa encarnada nesta edição da liga milionária.

O Benfica marcou cedo - por Salvio, na transformação de um penálti (bola para um lado, guarda-redes para o outro), após Antunes rasteirar Gonçalo Guedes na área - e fechou-se bem, no momento da resposta inicial do Dínamo. Porém, a partir do minuto 20, foi perdendo a batalha do meio-campo e mostrando dificuldades na construção ofensiva: só voltou a ameaçar Rudko num remate à figura, de Salvio, após uma jogada de entendimento com Nelson Semedo (aos 32").

Então, Yarmolenko começara a pôr em sobressalto a defesa encarnada, assistindo Derlis González, para uma cabeçada a rasar a barra (25"), e Sydorchuk, para um disparo às malhas laterais (40"). Foram dois avisos claros: o Benfica teria de surgir diferente na segunda parte.

Assim aconteceu. A equipa de Rui Vitória regressou mais tranquila dos balneários. E voltou a ter a felicidade de marcar cedo: Salvio assistiu Cervi, que, depois de um primeiro remate contra Mitroglou, não perdoou (55").

O golo propiciou novos sobressaltos para o Benfica. O Dínamo de Kiev reagiu de pronto e criou quatro oportunidades no espaço de cinco minutos, entre os 60" e os 65": Ederson travou remates de Júnior Moraes (irmão de Bruno Moraes, antigo jogador do FC Porto), Yarmolenko e Sydorchuk... e, pelo meio, quase comprometeu, numa saída em falso de entre os postes (Yarmolenko desaproveitou a oferta e disparou ao lado).

A partir daí, o Benfica soube travar a reação da equipa ucraniana. E controlou a passagem do tempo a seu bel-prazer, com um meio-campo reforçado e de olho em possíveis contra-ataques rápidos (entraram Celis e Raúl Jiménez, nos minutos finais). Um remate de Yarmolenko desviado por Lindelöf (86") e outro de Júnior Moraes por cima da baliza (já após os 90") foram os últimos picos de intranquilidade, que não chegaram para abalar a certeza - e justeza - da vitória encarnada.

Besiktas complica contas

No entanto, ao normal desenrolar dos acontecimentos em Kiev (o cabeça-de-série a vencer uma das equipas com pior ranking no Grupo B) não correspondeu um resultado tão "natural" no outro jogo da noite. Com dois golos de Aboubakar (38" e 86") e um de Adriano (13"), a passe de Quaresma, o Besiktas surpreendeu o Nápoles - marcou por Mertens (30") e Gabbiadini (69", de penálti) e, pelo meio, falhou outro penálti (Insigne, 50").

Assim, o Benfica - que até passou boa parte da jornada num provisório 2.º lugar do grupo - fica-se pela 3.ª posição, a um ponto dos turcos e dois dos italianos. E tem de voltar a cumprir com o Dínamo, em casa (1 de novembro), para encarar a hora das decisões - viagem à Turquia e receção ao Nápoles - com outra tranquilidade.

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