Tokyo e Jamaica reabrem. "Isto não é só diversão. Também é psicológo"

Os dois bares reabrem as portas hoje no Cais do Gás junto ao rio. A entrada dá acesso aos dois estabelecimentos que contam com uma nova programação artística e um espaço maior.

Após 30 meses encerrados e com uma nova localização no Cais do Gás, os míticos bares Tokyo e Jamaica voltam a abrir esta quinta-feira. Dos conhecidos espaços na Rua Rosa, os bares continuam agora com a mesma essência e ambiente que anteriormente, mas com algumas inovações.

"A ideia era tentar trazer a imagem que as pessoas reconheciam como sendo o Tokyo ou sendo o Jamaica de volta. Houve pessoas que vieram aqui e disseram-me ao entrar: "Okay, estou no Jamaica e no Tokyo"", explicou Fernando Pereira, sócio do Tokyo e do Jamaica, numa conversa com o DN. Os dois espaços funcionaram até março de 2020, quando foram obrigados a encerrar devido à pandemia.

No balcão do [novo] Tokyo estão os nomes das músicas que estavam impressas em vinil no balcão do estabelecimento antigo. Agora foram colocados em quadros discos originais que foram usados nos anos 80 e 90 no bar.

Já no Jamaica, um nome com mais de 50 anos, ao entrar deparamo-nos com os mesmos quadros na parede como o do Bob Marley e algumas adições como um quadro de Zeca Afonso ou de Prince com Michael Jackson. O corredor das casas de banho do Jamaica relembra o espaço antigo com algumas fotografias nas paredes. Atrás do balcão do Jamaica, está um boneco do Bob Marley e uma garrafa do espaço anterior do quadragésimo quarto aniversário do bar, que já sofreu várias tentativas de compra.

"Isto não é só diversão e copos. Estas casas são o melhor psicólogo que existe. As pessoas vêm para aqui descarregar, conhecem pessoas, casam-se e divorciam-se". Fernando Pereira relembra um episódio a que assistiu quando estava, num dia, com o filho na frente do Jamaica e passou um casal que olhou para o símbolo do bar e deu um abraço apertado. "É sentir que os espaços fazem parte das vidas das pessoas", acrescentou.

O novo espaço tem a lotação total de 600 pessoas e conta com mais quatro metros quadrados do que o recinto anterior. No Jamaica, conhecido por ser um espaço pequeno e intimista, estas características mantêm-se com uma parede que vai mexendo aos poucos e duplica o espaço. "Espero que chegue muitas vezes ao fundo quer dizer que a casa está cheia", frisa.

A nova abertura trouxe novos medos e preocupações. Depois de 30 meses parada, a equipa teve de se adaptar. "É quase como se tivéssemos que criar uma coisa do zero porque desaprendemos. Num teste que fizemos aqui no Tokyo, agarrei numa nota de cinco euros e pedi uma cerveja. E não havia moedas na caixa para o troco. Ou seja, uma coisa que há dois anos e meio estava alinhada e ninguém se preocupava, agora, ninguém se lembrou que era preciso ter trocos."

A sustentabilidade é outra preocupação desde os urinóis sem água aos painéis solares e a reciclagem. Os copos de plásticos utilizados no Jamaica desapareceram e foram trocados por opções mais sustentáveis.

"Temos duas funcionárias que adoram reciclagem e nestes últimos meses em que temos estado aqui elas têm nos levado a tratar mais disso, mesmo o pessoal mais velho que não estava tão habituado à reciclagem", explicou Fernando Pereira.

Com entrada única para os dois bares, a programação de ambos está a ser alinhada, havendo noites temáticas. No dia 20 de outubro, a noite será dedicada à música reggae. A ideia é juntar e misturar "o público mais velho do Jamaica e o mais novo do Tokyo".

Ao palco do Tokyo vão subir artistas escolhidos por Fred Martinho dos HMB e Rui Pedro Pity dos The Black Mamba, responsáveis pela programação. Para começar as noites vai ser dada oportunidade às bandas mais recentes, seguido por atuação de bandas e músicos residentes que será rotativo e depois alguns projetos espalhados por Lisboa.

O projeto Comicalate já faz parte da programação do Tokyo, um projeto que abriu o bar às segundas-feiras. Depois de uma pausa de dois anos, o projeto que junta vários artistas e convidados portugueses em palco numa comédia de improviso regressa à sua casa no dia 17 de outubro.

"Comecei a ir ao Tokyo há 10 anos mais ou menos. Como morava no Cais do Sodré às vezes ia sozinha e acabei por criar muitos laços lá", afirmou Soraia Carrega, atriz e uma das fundadoras do projeto. "Não sabemos se vamos dar continuidade com mais atuações mas esta festa vai acontecer para recebermos toda a gente no dia 17 e para celebrar estas casas."

Entre as várias histórias que trazem do Tokyo, relembram a vez em que Soraia apresentou o ator José Raposo como Pumba, personagem do Rei Leão à qual o ator deu a voz.

Os artistas vão ter um espaço para camarins, algo que anteriormente não era possível devido à capacidade do local.

Agora há um lugar onde os artistas podem descansar antes e depois do espetáculo.

A carta de bebidas permanece praticamente a mesma que no espaço anterior. No entanto, os cocktails são a nova adição no menu. Enquanto nos estabelecimentos antigos não havia condições para este tipo de bebida, o novo local tem agora uma cocktail station.

O preço da entrada nos bares é 12 euros consumíveis, podendo o preço variar consoante a programação do dia. O preço das bebidas varia entre os 3 e os 10 euros.

mariana.goncalves@dn.pt

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