Plastics Summit: "A indústria dos plásticos vai ter de evoluir"

Duas especialistas presentes no fórum dos plásticos defendem que os principais desafios desta indústria passam pela inovação no produto e pela educação da sociedade.

Quem o diz é Mafalda Evangelista, responsável pela área de sustentabilidade do BCSD - Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável, convidada para falar sobre "Os Plásticos num Futuro Sustentável", no "Plastics Summit", organizado pela Associação Portuguesa da Indústria de Plásticos (APIP), na Vista Alegre, em Ílhavo. Para a responsável de projetos da organização, "os plásticos vislumbram um mundo de oportunidades", mas "a indústria vai ter de evoluir para responder aos desafios que agora se colocam: ser mais reciclável e aumentar a qualidade do produto".

Na opinião da doutoranda em Ciências da Sustentabilidade da Universidade de Lisboa, "tem de haver bastante inovação, no sentido de haver uma resposta do setor às preocupações globais".

Tal como foi sendo falado ao longo do primeiro dia do fórum, Mafalda Evangelista sublinhou que tem de existir "foco na educação". O que não é reciclado, explicou ao DN, é porque muitas vezes "não tem o tratamento adequado" por quem o utiliza.

Esta responsável reconhece que houve uma diabolização do plástico, mas "é inevitável, porque o problema existe". "O consumo de plástico aumentou exponencialmente e vai continuar a aumentar, se as tendências não mudarem". Essa diabolização, explica, acontece porque "não houve um tratamento adequado dos plásticos e de outros resíduos". "Quem não recicla o plástico, também não recicla outros resíduos", critica Mafalda Evangelista.

Para combater o problema, lembra, mais de 100 parceiros públicos e privados que operam em toda a cadeia de valor dos plásticos assinaram a Declaração da Circular Plastics Alliance (CPA) - a aliança para a economia circular do plástico -, que promove ações voluntárias para o bom funcionamento do mercado europeu dos plásticos reciclados. "As empresas criaram uma estratégia para resolver o problema. As produções podem ser mais sustentáveis e, reconhecendo o problema, podem fazer melhor", salienta.

Educar, inovar e participar

Estas são três palavras chave para o futuro da indústria dos plásticos, defendeu Kim ​​​​​​​Ragaert, professora de Engenharia de Polímeros da Universidade de Ghent, durante a sua apresentação no fórum. Conhecida pela sua "TEDx talk" intitulada "Plastics Rehab', a especialista chamou a atenção dos presentes, maioritariamente empresários do ramo dos plásticos, para aquilo que devem fazer: "Educar o público, inovar no produto e participar no debate".

Tal como na sua Ted, voltou a usar o exemplo do pepino: são necessários dois gramas de plástico para o embalar, mas isso estende a validade e permite mantê-lo fresco no frigorífico durante 11 dias. E a quantidade de CO2 produzida para fabricar estas embalagens é menos 10% do que a emitida para produzir o alimento. Ao prevenir o desperdício de comida, explicou, previne-se a emissão de dióxido de carbono.

Kim ​​​​​​​Ragaert apresentou também as contas para os sacos de plástico fino (20 gramas), que têm vindo a ser proibidos em vários países. Segundo a mesma, um saco de papel (50 gramas) gasta mais energia para produzir e reciclar, "bem como mais terra, árvores, água". Pelas suas contas, um saco de papel teria de ser reutilizado quatro vezes para que fosse tão amigo do ambiente quanto um saco de plástico. "E quem de vocês é que usa o mesmo saco de papel quatro vezes?", questionou. Já o saco de algodão, que resulta da produção intensiva de algodão, teria de ser reutilizado mais de 170 vezes para igualar o saco de plástico. Por isso, Kim defende os sacos de plástico que se compram junto às caixas registadoras dos supermercados.

Segundo a docente da Universidade de Ghent, 80% do lixo é intencional e deitado fora pelos cidadãos. "São vocês e eu", frisou, destacando que "proibir todos os plásticos não é definitivamente o caminho a seguir".

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