Os 10 mitos sobre o sono nos quais não deve acreditar

Cinco horas de sono são suficientes? O álcool ajuda a dormir melhor? Um grupo de investigadores americanos publicou um estudo, no qual ajuda a desconstruir algumas das principais ideias erradas sobre o sono.

Não há dúvidas que dormir é um bem precioso, tanto para a saúde como para a produtividade dos indivíduos. Mas ainda há muitas falsas verdades em torno do sono - que ocupa um terço da vida do ser humano. Agora, um grupo de cientistas da NYU Langone Health diz que muitas das noções que circulam sobre o sono têm pouca base de verdade e podem até ser prejudiciais para a saúde.

Num artigo publicado no Sleep Health, citado pela CNN, os investigadores publicam os resultados de um estudo que envolveu oito mil sites para descobrir o que a população pensa que são hábitos saudáveis de sono. Com base nessa recolha, apresentam os principais mitos, de acordo com o grau de falsidade e a sua importância para a saúde.

1. Os adultos precisam de cinco ou menos horas de sono

Falso. Há muitas pessoas que afirmam sentir-se bem com cinco horas de sono, mas este é, segundo os investigadores, o mito mais problemático que encontraram. De acordo com as estatísticas apresentadas no Dia Mundial do Sono, que se celebra a 15 de março, a privação do sono ameaça até 45% da população mundial. Rebecca Robbins, investigadora da NYU Langone Health, diz que dormir cinco ou menos horas tem consequências nefastas para a saúde, nomeadamente ao nível das doenças cardiovasculares e na mortalidade precoce. Além disso, existem evidências que apontam para problemas como tensão alta, sistema imunológico fraco, ganhos de peso, diabetes, derrames, entre outras doenças. A ciência recomenda sete a dez horas de sono por noite.

2. É saudável ser capaz de adormecer "em qualquer lado, a qualquer altura"

Falso. Há quem acredite que adormecer assim que o carro ou o avião começam a movimentar-se é um bom sinal. No entanto, alerta a investigadora, isso significa que a pessoa "não está a dormir o suficiente e está a cair em episódios de 'micro' ou 'mini-sonos'". É sinal de que há exaustão e, por isso, o corpo começa a pagar a sua dívida de sono a qualquer altura.

3. O cérebro e o corpo podem adaptar-se a menos horas de sono

Falso. Segundo os investigadores, há tendência para acreditar que o organismo pode adaptar-se e aprender a funcionar com menos horas de sono, mas esta noção não passa de um mito urbano. A explicação, lê-se na CNN, está nas fases do sono. É necessário passar por todas as fases para que haja uma total recuperação. E é nas últimas que acontece o sono mais profundo e restaurador.

4. O ressonar, apesar de irritante, é inofensivo

Falso. Embora sejam frequentemente desvalorizados, os roncos barulhentos e estridentes, interrompidos por respirações, sugerem apneia do sono, um distúrbio que está relacionado com o aumento do risco de ataques cardíacos, asma, tensão arterial alta, glaucoma, cancro, diabetes, entre outras patologia. "A apneia do sono é extremamente cansativa", afirma Rebecca Robbins. Regra geral, as pessoas dormem mal e acordam muitas vezes durante a noite, sentindo-se exaustas durante o dia. "Acreditamos que afeta 30% da população e cerca de 10% são diagnosticados".

5. Beber álcool antes de dormir ajuda

Falso. Segundo Robbins, o álcool pode efetivamente ajudar a adormecer, mas esse é o único benefício. Ao contrário do que se possa pensar, as bebidas alcoólicas deixam os indivíduos nos estadios mais leves de sono, "reduzindo drasticamente a qualidade do descanso à noite".

6. Não consegue dormir? Fique a tentar com os olhos fechados

Falso. Pode até parecer que faz sentido, mas, de acordo com os investigados, ficar na cama a contar carneiros não é uma decisão inteligente. "Se ficarmos na cama, começamos a associar a cama à insónia", explica a investigadora. Uma pessoa saudável demora, em média, 15 minutos para adormecer. Se demorar mais do que isso, é aconselhável sair da cama, mudar o ambiente e fazer algo que não exija muita atenção. "Manter as luzes baixas e dobrar meias", por exemplo.

7. Não importa a hora do dia a que dorme

Falso. Não ter um horário regular de sono pode afetar negativamente a saúde. Se o relógio interno não está ajustado com o mundo externo, há tendência para a pessoa se sentir desorientada e sonolenta. Adormecer e acordar sempre à mesma hora ajuda a controlar o chamado relógio biológico do corpo, com benefícios no controlo de hormonas, temperatura corporal, alimentação e digestão e ciclos de sono e vigia. Não admira, por isso, que os trabalhadores por turnos se encontrem em maior risco de desenvolver doenças cardíacas, úlceras, depressão, obesidade e alguns tipos de cancro, bem como um maior número de lesões e acidentes de trabalho.

8. Ver televisão na cama ajuda a relaxar

Falso. Ao emitir uma luz brilhante, a televisão "diz ao nosso cérebro para se manter vivo", o que tem consequências negativas no sono. E o mesmo se passa com os smartphones e outros equipamentos que emitem luz. Se utilizar dispositivos eletrónicos até duas horas antes de dormir, irá demorar mais tempo para adormecer e, muito provavelmente, dormir pior. Não existindo alternativa, os investigadores aconselham a reduzir a luminosidade dos ecrãs.

9. Carregar no snooze é ótimo. Não é preciso levantar-se imediatamente

Falso. É daquelas pessoas que carrega repetidas vezes no snooze quando o despertador toca? "Resista à tentação do snooze, porque, infelizmente, o seu corpo vai voltar a dormir - um sono muito leve e de baixa qualidade", alerta Rebecca. Se sentir que não consegue resistir, opte por deixar o despertador longe da cama, o que o vai obrigar a levantar-se quando este tocar.

10. Lembrar-se dos sonhos é um bom sinal

Falso. De uma maneira geral, quem dorme bem não se lembra dos sonhos. Quem se lembra mais dos sonhos tende a acordar mais vezes durante a noite e a ser mais sensível a sons enquanto dorme.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG