O vírus que há 500 mil anos mata o homem através do sexo

Estudo concluiu que os vírus do papiloma humano têm evoluído com o homem e causam cancros de vários tipos. Há centenas de milhares de vítimas por ano, dizem os investigadores

O vírus do papiloma humano, que causa o cancro do colo do útero, tem evoluído junto com os hominídeos, os ancestrais do homem, há meio milhão de anos. A conclusão é de ima investigação publicada na revista PLOS Pathongens.

O estudo, realizado por investigadores da Universidade de Hong Kong (China) e do Albert Einstein College of Medicine (EUA), aponta ainda que este vírus foi dividido em dois ramos ao mesmo tempo em que os Sapiens e os Neanderthals divergiram, há cerca de 80000 anos. "Compreender a evolução dos papilomavírus deve fornecer importantes revelações biológicas e sugerir novos mecanismos pelos quais o vírus do papiloma humano causa cancro cervical", escrevem os autores do estudo, liderados por Zigui Chen e Robert Burk .

Os vírus do papiloma humano são um grande grupo de micróbios, dos quais existem 200 tipos e entre os quais há 40 que infectam os genitais. São transmitidos por contacto sexual e, embora a maioria das pessoas elimine essas infecções ao longo dos anos, em alguns casos os vírus aumentam o risco de desenvolver cancro do colo do útero. Este é o quarto tipo de cancro mais comum entre as mulheres e a cada ano mata mais de 250 mil pessoas em todo o mundo. Além disso, esses vírus podem causar os cancros anal, oral, vulvar e do pénis.

Nesta ocasião, os cientistas estudaram o genoma do vírus do papiloma humano 16 (HPV16), o mais comum e letal, e vários vírus do papiloma presentes em primatas não humanos. Em ambos os casos, e através de técnicas de "relógios moleculares", tentaram estudar a diversidade desses vírus e reconstruir a sua evolução. Foi dada especial atenção ao modo como divergiam, como se estivessem construindo uma árvore genealógica.

De acordo com o que foi descoberto, os investigadores sugeriram que o vírus do papiloma humano seguiu um "padrão de divergência inóspita muito cedo, seguido por uma coevolução entre o vírus e o hospedeiro". Isso significa que originalmente diversificaram e passaram por um longo período de coexistência com cada hospedeiro. A presença de um subtipo de HPV16 na Ásia sugere que os neandertais passaram este vírus para os seres humanos modernos não-africanos através da reprodução, quando os neandertais se mudaram para leste há cerca de 80000 anos.

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