Mosquitos geneticamente modificados combatem malária

Projeto da Fundação Bill Gates liberta 6400 espécimes de mosquitos geneticamente modificados numa cidade do Burkina Faso, África Ocidental, para combater a malária

Mosquitos geneticamente modificados a voarem livremente na natureza para acabarem com a malária será um sonho científico ou uma realidade? A questão é colocada pelo jornal espanhol El País na sua edição de hoje, ao dar conta de que o projeto Target Malaria - financiado pela Fundação Bill e Melinda e por outras 13 instituições públicas e privadas - pretende combater a doença, que todos os anos ainda mata mais de 400 mil pessoas em África, com o próprio agente que a propaga.

De acordo com a notícia, 6400 espécimes masculinos, Anopheles Gambiae, estéreis devido a uma alteração provocada pela ação humana no seu DNA, foram libertados no início de julho numa cidade do Burkina Faso, na África Ocidental.

Por agora, é apenas um teste, mas a ideia de que a doença pode ser combatida com uma alteração genética está a ganhar sustentabilidade, apesar de haver ainda alguma relutância por parte da comunidade científica e dos grupos ambientais.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a malária afetou, em 2017, 219 milhões de pessoas, causando 435.000 mortes, das quais 90% ocorreram na África, principalmente crianças com menos de cinco anos.

O parasita é transmitido ao ser humano através da picada de uma fêmea de várias espécies de mosquitos do género Anopheles, que precisam do sangue para amadurecer os ovos que carregam no interior, uma vez fertilizados.

O homem luta há séculos contra este inimigo com medicamentos, pulverizadores, repelentes, redes mosquiteiras e há alguns meses com uma vacina desenvolvida em Moçambique, com apoio espanhol.

O certo é que a doença continua a matar em larga escala. Mas o projeto do Target Malaria, agora lançado, surge como uma alternativa aos métodos já usados.

"Os mosquitos são cada vez mais resistentes às moléculas com as quais tentamos eliminá-los e a vacina tem eficácia limitada, especialmente em crianças com mama, que é a faixa etária mais perigosa", explica o médico Abdoulaye Diabaté, Investigador principal do projeto no Burkina Faso. "É unânime a opinião de que apenas com as redes mosquiteiras e a vacina atual não podemos acabar com a doença".

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