Morreu Robert May, o cientista que pôs os outros a pensar

Robert May foi um assessor científico influente no governo britânico que elaborou estudos nas mais diversas áreas, da sida à estabilidade da finanças.

Robert May, Lord May de Oxford, morreu esta terça-feira aos 84 anos. Cientista australiano há largas décadas radicado no Reino Unido, foi assessor científico chefe do governo britânico, presidente da Royal Society, histórica instituição destinada à promoção do conhecimento científico fundada em 1660, e professor na Universidade de Sydney (Austrália) e na Universidade Princeton (Nova Jérsei, Estados Unidos), entre outros cargos.

Nascido em Sydney, na Austrália, Robert May era um eclético na área da ciência, gostava de resolver quebra-cabeças, e foi autor de vários trabalhos e estudos na área da matemática, a sobrevivência de espécies em diversos ecossistemas, a disseminação da Sida e a estabilidade das finanças globais.

Robert May ganhou destaque em 1973 quando desafiou a teoria convencional de que ecossistemas mais simples, como as monoculturas desenvolvidas pela agricultura comercial, são mais vulneráveis ao colapso do que os ecossistemas mais complexos que contêm muitas espécies diferentes. No livro Stability and Complexity in Model Ecosystems, publicado nesse ano, mostrou matematicamente que num sistema com várias espécies a competir por recursos, quantas mais espécies existissem, menos estável o sistema como um todo.

Mais tarde, com o surgimento da Sida na década de 1980, passou a estudar a propagação da doença, prevendo com precisão que o HIV se transmitia com mais rapidez em comunidades em que eram habituais relações com múltiplos parceiros sexuais.

Como principal consultor científico do governo britânico, entre 1995 e 2000, fez com que políticos e comunidade científica pensassem sobre o público que serviam, tendo produzido uma série de relatórios importantes, nos quais comparou os custos da pesquisa do Reino Unido com o seu impacto global e revelou que ciência britânica era a mais eficiente do mundo, minando quaisquer alegações de que os gastos governamentais em ciência eram um desperdício.

Antes da crise financeira de 2008, Robert May já havia começado a trabalhar com colegas sobre a estabilidade do sistema bancário. A sua análise, Ecology for Bankers, publicada na revista Nature sete meses antes do colapso do Lehman Brothers, explicou como os modelos ecológicos poderiam expor vulnerabilidades no sistema.

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