Sprint de 32 horas: americano atravessa a Antártica sozinho

Na manhã de Natal, Colin O'Brady decidiu que tinha de terminar a sua aventura, nem que para isso tivesse de fazer uma jornada gelada de 124 km

O americano Colin O'Brady terminou esta quarta-feira a travessia da Antártida, ao fim de quase dois meses de uma aventura gelada, num esforço solitário, que revelou uma resistência sobre-humana. Uma aventura que terminou com um sprint final de cerca de 124 km (77,54 milhas) em 32 horas, com uma linha ténue a separar a lucidez da insanidade mental quando se percorrem quilómetros e quilómetros sozinho, quando só se vê branco à volta, quando se luta contra rajadas de vento fortíssimas, quedas de neve inesperadas e uma temperatura glaciar. Mas ele conseguiu.

"Meta! Consegui! O primeiro impossível. 32 horas e 30 minutos depois de deixar o meu último campo, cedinho na manhã de Natal, percorri 80 milhas numa contínua maratona antártica", escreveu O'Brady na sua conta de Instagram.

O'Brady contou que acordou na manhã do dia de Natal a uma altitude de mais de oito mil pés acima do nível do mar, mas com o forte feeling de que tinha finalmente chegado o seu momento. E começou a engendrar um plano para tornar o dia mais e mais longo - nas últimas duas semanas parava por volta das nove da noite (antes era às oito), mas no dia de Natal ultrapassou as 11 horas sem dar qualquer sinal. E continuou. Só ligou para a mulher, que controlava a expedição, à uma e meia da manhã (hora chilena).

A mãe e o padrasto também falaram com ele. E a preocupação testar a sua sanidade mental, fazendo-lhe perguntas, por exemplo, sobre que tipo de alimentação tinha feito e sobre a ingestão de água. "Tivemos uma conversa aberta, honesta e intiligente com ele", disse Jenna Besaw, citada pelo NYT.

Este esforço pode ser considerado um dos grandes feitos da história polar - o sprint final foi concluído no 53º dia de uma jornada de 921 milhas sem precedentes. De acordo com o The New York Times, Colin O'Brady, de 33 anos, estabeleceu assim um patamar ainda mais alto para quem tentar superá-lo. Nestes quase dois meses de corrida solitária, O'Brady tirou apenas meio dia de folga. Foi a 29 de novembro, quando danificou um esqui e se viu forçado a montar o acampamento mais cedo.

O esforço final de O'Brady colocou-o entre os protagonistas dos feitos mais notáveis ​da história polar, incluindo as expedições lideradas por Roald Amundsen (Norueg) e por Robert Falcon Scott (Inglaterra), que lutou contra Amundsen para se tornar o primeiro a alcançar o pólo sul magnético.

Entre os grandes feitos, está também a travessia de Borge Ousland em 1996-97, quando se tornou o primeiro homem a atravessar o continente sozinho e sem qualquer apoio. Desde então, pelo menos três outros exploradores tentaram alcançar o feito de Ousland. Mas foi O'Brady a tornar-se o primeiro a ter sucesso quando chegou ao seu objetivo no final da tarde desta quarta-feira.

Em 2016, um inglês veterano das forças especiais, morreu dias depois de ser retirado do gelo. Tinha percorrido mais de 900 milhas e só lhe faltavam 126 para chegar ao final. Em 2017, outro inglês, Ben Saunders, desistiu da mesma missão no Pólo Sul.

Louis Rudd, também inglês e amigo de Worsley, ainda esta quarta-feira continuava a sua expedição - ele e O'Brady partiram de Punta Arenas, no Chile, no Halloween. Rudd liderou na primeira semana face a O'Brady, mas este conseguiu alcançá-lo a 9 de novembro e desde então manteve-se na frente. Uma liderança que se manteve entre um e dois dias durante várias semanas. Até que, no Natal, O'Brady atingiu o objetivo,

Exclusivos

Premium

EUA

Elizabeth Warren tem um plano

Donald Trump continua com níveis baixos de aprovação nacional, mas capacidade muito elevada de manter a fidelidade republicana. A oportunidade para travar a reeleição do mais bizarro presidente que a história recente da América revelou existe: entre 55% e 60% dos eleitores garantem que Trump não merece segundo mandato. A chave está em saber se os democratas vão ser capazes de mobilizar para as urnas essa maioria anti-Trump que, para já, é só virtual. Em tempos normais, o centrismo experiente de Joe Biden seria a escolha mais avisada. Mas os EUA não vivem tempos normais. Kennedy apontou para a Lua e alimentava o "sonho americano". Obama oferecia a garantia de que ainda era possível acreditar nisso (yes we can). Elizabeth Warren pode não ter ambições tão inspiradoras - mas tem um plano. E esse plano da senadora corajosa e frontal do Massachusetts pode mesmo ser a maior ameaça a Donald Trump.