Investigadores de Portugal ganham oito milhões de euros em bolsas europeias

Quatro projetos foram contemplados pelo Conselho Europeu de Investigação. Dois são da Universidade de Aveiro, um da Fundação Champalimaud e outro do Instituto de Ciências, Tecnologias e Agroambiente da Universidade do Porto.

São quatro projetos de investigação científica nas áreas dos novos materiais, neurociências e ecologia e estão a ser desenvolvidos em instituições. Foram agora contemplados com cerca de dois milhões de euros cada em bolsas de consolidação atribuídas pelo Conselho Europeu de Investigação (ERC).

Estas bolsas são atribuídas a investigadores já com doutoramento, com sete a 12 anos de experiência, e por isso são chamadas de consolidação. No total foram distribuídos cerca de 600 milhões de euros, por instituições de 24 países europeus e investigadores de 37 nacionalidades.

A Universidade de Aveiro teve dois investigadores premiados. Luís Mafra e Nuno Silva são os dois investigadores contemplados, o primeiro com o projeto NMR4CO2, que investiga novos materiais, e o segundo com ThermoRise, sobre a ascensão da 3ª dimensão em mapeamento de nanotemperatura.

Outro dos projetos nacionais é desenvolvido por Rita Covas, do Instituto de Ciências, Tecnologias e Agroambiente, criado com o intuito de dar apoio a programas de Investigação e Desenvolvimento atribuídos a grupos de Investigadores da Universidade do Porto. "A escolha de parceiro e a evolução da cooperação" insere-se no âmbito da ecologia e visa estudar as relações entre espécies e a sua cooperação.

A neurocientista norte-americana Megan Carey, do Centro Champalimaud, em Lisboa, foi a outra contemplada com uma bolsa para aprofundar o estudo sobre a coordenação do movimento pelo cérebro.

Nestas bolsas, investigadores de 37 nacionalidades receberam financiamento, com destaque para alemães (55 bolsas), franceses (33), holandeses (28) e italianos (23). Os projetos propostos pelos novos bolseiros abrangem uma ampla gama de tópicos em ciências físicas e engenharia, ciências da vida, bem como ciências sociais e humanas.

No total, o ERC recebeu 2453 propostas, das quais aproximadamente 12% recebem agora financiamento. Destes 31% foram concedidos a mulheres. Segundo o ERC, estas bolsas devem criar cerca de 2000 empregos para bolseiros de pós-doutoramento, estudantes de doutoramento e outros funcionários da equipas de investigação.

A Fundação Champalimaud reagiu de imediato ao anúncio esta terça-feira da atribuição da bolsa, indiciando que Megan Carey, a trabalhar desde 2010 no Centro Champalimaud, onde lidera o Laboratório de Circuitos Neuronais e Comportamento, já tinha recebido, em 2014, uma bolsa do Conselho Europeu de Investigação, no valor de 1,5 milhões de euros. Com esta verba, a sua equipa desenvolveu um 'software' que lhe permitiu identificar, em ratinhos, as "contribuições específicas de uma parte do cérebro - o cerebelo - para a coordenação da caminhada".

Agora, com a nova bolsa atribuída pelo Conselho Europeu de Investigação, instância da Comissão Europeia direcionada para a ciência, Megan Carey "planeia comprar novos equipamentos e contratar investigadores, que se dedicarão a desvendar os circuitos neuronais responsáveis pela aprendizagem de novos padrões de caminhada".

"A equipa espera determinar como os componentes espaciais e temporais do controlo motor são codificados e comunicados através de circuitos neuronais no cérebro", refere o comunicado da Fundação Champalimaud, ao qual pertence o centro de investigação onde trabalha a neurocientista norte-americana, acrescentando que a linha de estudo, que tem a duração de cinco anos, vai incluir "análise quantitativa do comportamento" e análise genética dos circuitos neuronais envolvidos.

A ideia é ver como o cérebro "aprende a coordenar o movimento de todo o corpo enquanto caminha em ambientes diferentes", explica Megan Carey, citada no comunicado, salientando que se trata de "um desafio para os sistemas robóticos mais sofisticados".

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