Tem tosse? Mel é melhor que antibióticos, recomendam médicos ingleses

De acordo com as novas orientações, em Inglaterra, os médicos devem promover o mel e os medicamentos não sujeitos a receita médica. Em causa está a prescrição excessiva de antibióticos, um problema que também ocorre em Portugal

Remédio caseiro para a tosse, o mel deverá vir a ser recomendado pelos médicos ingleses para o tratamento da mesma - uma alteração das diretrizes que tem em vista a diminuição do uso de antibióticos.

Segundo as diretrizes propostas pelo Instituto Nacional de Excelência Clínica e de Saúde (NICE) da Grã-Bretanha, citado pelo The Times, os médicos não devem enviar os doentes com tosse para a farmácia, mas sim para a cozinha, para que tomem uma colher de mel.

Ou seja, os antibióticos não devem ser recomendados como tratamentos de primeira linha para a tosse. Pelo contrário, os doentes devem ser aconselhados a ter alguns cuidados se tiverem uma tosse causada por frio, gripe ou bronquite.

Por cá, Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), considera que é necessário reduzir a prescrição de antibióticos para a tosse, mas tem dúvidas quanto à utilidade do mel.

A inclusão de mel nas diretrizes em Inglaterra, conta o jornal, surge na sequência de estudos que mostram que pode aliviar os sintomas, o que não tem acontecido com outros remédios caseiros.

De acordo com uma investigação publicada este ano, 41% das consultas de doentes com tosse resultaram na prescrição de antibióticos, uma percentagem que não deveria ser superior a 10%. Esta medida visa ajudar a diminuir a resistência aos antibióticos, reduzindo a prescrição dos mesmos.

Excesso de antibióticos em Portugal

Embora não existam estudos, Rui Nogueira, presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), tem a perceção de que a situação em Portugal não será muito diferente. "Há um estigma que associa a tosse à tuberculose e a outras doenças graves, pelo que os doentes esperam que a tosse seja resolvida com antibióticos. Mesmo entre os médicos, há a convicção de que são benéficos", lamenta.

Na grande maioria das situações, prossegue, "o que está em causa é uma bronquite aguda, que nada tem a ver com infeções graves e que, portanto, não necessita de antibióticos".

Em Portugal, viveu-se uma situação atípica este ano: "Tivemos poucos casos de gripe e muitos de bronquite. Nunca vi tantos doentes com bronquite". Embora tenda a ser menos grave do que a gripe, a bronquite pode gerar situações mais graves na população mais velha e com outras patologias. "Em situações muito específicas, podemos precisar de usar antibiótico, mas são casos excecionais".

Se houver expetoração, Rui Nogueira diz que "é necessário haver tosse". E há situações em que podem "ter de ser usados fármacos antitússicos", nomeadamente quando existe tosse irritativa.

Será que o mel faz mesmo bem?

Quanto à utilização do mel para o tratamento da tosse, o presidente da APMGF diz que "há a noção de o mel ser mucolítico", mas considera que "não haverá qualquer relação, a não ser o bem-estar". Admite, no entanto, que possa existir. "Mas eu não conheço", frisa.

Além do mel, o NICE lembra que há outros medicamentos para a tosse vendidos sem receita médica, à base de ervas, que também apresentam benefícios.

O mel não deve, no entanto, ser dado a crianças com menos de 12 anos, devido ao risco de botulismo.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Rosália Amorim

Crédito: teremos aprendido a lição?

Crédito para a habitação, crédito para o carro, crédito para as obras, crédito para as férias, crédito para tudo... Foi assim a vida de muitos portugueses antes da crise, a contrair crédito sobre crédito. Particulares e também os bancos (que facilitaram demais) ficaram com culpas no cartório. A pergunta que vale a pena fazer hoje é se, depois da crise e da intervenção da troika, a realidade terá mudado assim tanto? Parece que não. Hoje não é só o Estado que está sobre-endividado, mas são também os privados, quer as empresas quer os particulares.