Radiações de telemóveis provocam cancro? "Clara evidência" mas só em ratos

Elevada exposição a altos níveis de radiação de radiofrequência, como a dos telemóveis 2G e 3G, fez com que ratos machos desenvolvessem tumores cardíacos cancerígenos.

Há uma "clara evidência" da ligação entre cancro e radiações de telemóveis, segundo um comunicado divulgado pelo Programa Nacional de Toxicologia (NTP, na sigla original) do Departamento de Saúde americano, depois de uma investigação realizada com ratos machos, embora não seja possível estabelecer esta relação no caso de homens e mulheres.

Segundo o comunicado, a elevada exposição a altos níveis de radiação de radiofrequência - como os dos telemóveis 2G e 3G - fez com que esses ratos desenvolvessem tumores cardíacos cancerígenos, de acordo com o relatório final do estudo agora divulgado. Também foram demonstradas "algumas evidências de tumores no cérebro e nas glândulas suprarrenais de ratos machos expostos".

Em ratos fêmeas e ratos domésticos (camundongos) machos e fêmeas, a pesquisa foi inconclusiva sobre se os tumores observados estavam associados à exposição da radiação de radiofrequência.

Os documentos finais representam o consenso do NTP e um painel de especialistas científicos externos que reviram os estudos em março, depois dos relatórios preliminares terem sido publicados em fevereiro.

"As exposições usadas nos estudos não podem ser comparadas diretamente à exposição que os humanos experimentam quando usam um telefone móvel"

"As exposições usadas nos estudos não podem ser comparadas diretamente à exposição que os humanos experimentam quando usam um telefone móvel", avisou John Bucher, cientista sénior do NTP. "Nos nossos estudos, ratos e ratos domésticos receberam radiação de radiofrequência por todo o corpo. Por outro lado, as pessoas ficam expostas principalmente em tecidos locais específicos próximos de onde têm o telefone. Além disso, os níveis de exposição e duração nos nossos estudos foram superiores ao que as pessoas experimentam."

De acordo com o texto divulgado pelo Departamento de Saúde americano, "o nível de exposição mais baixo utilizado nos estudos foi igual à máxima exposição tecidual local atualmente permitida para utilizadores de telemóveis. E esse nível de energia raramente ocorre com o uso típico do telefone móvel. O maior nível de exposição nos estudos foi quatro vezes maior do que o nível máximo de potência permitido."

Já nos ratos, a relação é real. "Acreditamos que a ligação entre radiação de radiofrequência e tumores em ratos machos é real, e os especialistas externos concordaram", explicou Bucher.

Estes estudos foram realizados ao longo de mais de dez anos e, de acordo com o NTP, "são a avaliação mais abrangente, até hoje, dos efeitos na saúde de animais expostos à radiação de radiofrequência com modulações usadas em telemóveis 2G e 3G". Estas redes eram o padrão quando os estudos foram projetados e ainda são usados para telefonemas e mensagens de texto. A investigação não foi realizada em telemóveis 5G e redes de wifi.

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