Professora suspensa por assédio sexual, mas não acaba aqui a história

Avital Ronell é professora na Universidade de Nova Iorque e no próximo ano letivo estará por assédio sexual. Feministas condenam decisão.

Avital Ronell é uma conhecida professora universitária, filósofa e feminista. Ensina Literatura Alemã Comparada e foi numa pós-graduação que teve como aluno Nimrod Reitman, o estudante que a acusou de assédio sexual. A Universidade de Nova Iorque (UNI) investigou e, ao fim de 11 meses, concluiu que ele tinha razão e suspendeu a docente.

Ao abrigo da lei dos direitos civis, aprovada nos EUA em 1972, contra a discriminação em programas de educação, os investigadores consideraram Avital Ronell responsável por assédio sexual, físico e verbal. A tal ponto que o seu comportamento foi considerado "suficientemente invasivo para alterar os termos e as condições de ambiente de aprendizagem do senhor Reitman", refere o relatório, citado pelo jornal The New York Times.

Reitman, que tem agora 34 anos e é professor visitante em Harvard, diz que Ronell o assediou durante três anos, facto que o levou a apresentar queixa dois anos depois de se doutorar. Acrescenta que a docente o beijou e tocou repetidamente, dormiu na cama dele, exigiu que ele se deitasse na cama dela, mandou-lhe mensagens, e-mails e que lhe ligava insistentemente recusando-se a trabalhar com ele se as suas atenções não fossem retribuídas.

Ronell, de 66 anos, nega qualquer tipo de assédio. "As nossas comunicações, que Reitman agora diz terem sido assédio sexual, foram entre dois adultos, um homem gay e uma mulher queer, que partilham a origem israelita, assim como a inclinação para comunicações exuberantes e exageradas decorrentes de experiências e sensibilidades académicas comuns", respondeu ao NYT. Sublinha que as comunicações "foram correspondidas e incentivadas por ele ao longo de três anos".

Logo depois da decisão da direção da universidade, nesta primavera, um grupo de académicos enviou uma carta em defesa da colega. Entre estes, Judith Butler, autora do livro Gender Trouble, e Slavoj Zizek.

"Apesar de não termos acesso ao dossiê confidencial, trabalhámos durante muitos anos com a professora Ronell", lê-se na carta publicada num blogue de filosofia, acrescentando: "Todos vimos o seu relacionamento com os estudantes, e alguns de nós conhecemos o indivíduo que lançou esta campanha maliciosa contra ela." Alegam que o caso representa graves prejuízos para a reputação e a personalidade da professora.

Do outro lado da polémica estão os críticos que condenam os subscritores da carta, justificando que se trata de uma repetição de quem defende os homens poderosos das acusações de assédio por parte das mulheres.

#MeToo

O advogado de Reitman, Donald Kravet, informou que estão a pensar apresentar um processo em tribunal contra a universidade e Ronell e exigir uma indemnização.

Um porta-voz da universidade, John Beckman, manifestou respeito pelo que Reitman passou, mas diz não acreditar numa condenação uma vez que reagiram "com prontidão, seriedade e profundidade às acusações".

Confrontado com semelhanças em relação às mulheres que se queixam de homens públicos que as assediaram sexualmente, o que está na origem do movimento #MeToo, Reitman contesta que nunca pretendeu fazer disso um assunto nacional e muito menos sobre identidade de género. Justifica que iniciou o processo antes da criação do movimento.

Ler mais

Premium

robótica

Quando os robôs ajudam a aprender Estudo do Meio e Matemática

Os robôs chegaram aos jardins-de-infância e salas de aula de todo o país. Seja no âmbito do projeto de robótica do Ministério da Educação, da iniciativa das autarquias ou de outros programas, já há dezenas de milhares de crianças a aprender os fundamentos básicos da programação e do pensamento computacional em Portugal.

Premium

Anselmo Borges

"Likai-vos" uns aos outros

Quem nunca assistiu, num restaurante, por exemplo, a esta cena de estátuas: o pai a dedar num smartphone, a mãe a dedar noutro smartphone e cada um dos filhos pequenos a fazer o mesmo, eventualmente até a mandar mensagens uns aos outros? É nisto que estamos... Por isso, fiquei muito contente quando, há dias, num jantar em casa de um casal amigo, reparei que, à mesa, está proibido o dedar, porque aí não há telemóvel; às refeições, os miúdos adolescentes falam e contam histórias e estórias, e desabafam, e os pais riem-se com eles, e vão dizendo o que pode ser sumamente útil para a vida de todos... Se há visitas de outros miúdos, são avisados... de que ali os telemóveis ficam à distância...