Ovário artificial promete ajudar mulheres com cancro a engravidar

Investigadores dinamarqueses fabricaram em laboratório um protótipo a partir de tecido humano e óvulos. A técnica está a ser testada em cobaias

Pode demorar até 10 anos a esta técnica estar pronta a ser utilizada em mulheres que estejam em risco de perder a fertilidade devido a tratamentos de cancro e outras terapias, revela o jornal The Guardian .

O ovário artificial, criado em laboratório por uma equipa de investigadores de Rigshospitalet em Copenhaga, promete ajudar as mulheres com cancro a engravidar.

O protótipo foi criado a partir de tecidos do órgão e de óvulos recolhidos antes de a paciente começar os tratamentos com quimioterapia ou radioterapia, o que permite que estes sejam congelados e, findo os tratamentos, reimplantados para a mulher poder ter filhos normalmente.

"Tivemos a primeira prova de que realmente conseguimos manter os óvulos. É um passo importante", declarou Susanne Pors, uma das investigadoras do projeto, ao The Guardian. "Mas ainda temos muitos anos pela frente antes de o conseguirmos implantar numa mulher", declara, revelando que pode demorar "uns 10 anos" a ser aplicada a técnina que, para já, está apenas a ser testada em cobaias.

Para a maioria das doentes este procedimento é totalmente seguro, menos nos casos de cancros como o do ovário ou leucemia, uma vez que o reimplante acrescenta probabilidades à doença de voltar.

A equipa de liderada por Susanne Pors acredita que os ovários artificiais são a opção mais segura. Os resultados desta experiência vai ser apresentada esta semana em Barcelona, no encontro anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Henrique Burnay

Discretamente, sem ninguém ver

Enquanto nos Estados Unidos se discute se o candidato a juiz do Supremo Tribunal de Justiça americano tentou, ou não, há 36 anos abusar, ou mesmo violar, uma colega (quando tinham 17 e 15 anos), para além de tudo o que Kavanauhg pensa, pensou, já disse ou escreveu sobre o que quer que seja, em Portugal ninguém desconfia quem seja, o que pensa ou o que pretende fazer a senhora nomeada procuradora-geral da República, na noite de quinta-feira passada. Enquanto lá se esmiúça, por cá elogia-se (quem elogia) que o primeiro-ministro e o Presidente da República tenham muito discretamente combinado entre si e apanhado toda a gente de surpresa. Aliás, o apanhar toda a gente de surpresa deu, até, direito a que se recordasse como havia aqui genialidade tática. E os jornais que garantiram ter boas fontes a informar que ia ser outra coisa pedem desculpa mas não dizem se enganaram ou foram enganados. A diferença entre lá e cá é monumental.

Premium

Ruy Castro

À falta do Nobel, o Ig Nobel

Uma das frustrações brasileiras históricas é a de que, até hoje, o Brasil não ganhou um Prémio Nobel. Não por falta de quem o merecesse - se fizesse direitinho o seu dever de casa, a Academia Sueca, que distribui o prémio desde 1901, teria descoberto qualidades no nosso Alberto Santos-Dumont, que foi o verdadeiro inventor do avião, em João Guimarães Rosa, autor do romance Grande Sertão: Veredas, escrito num misto de português e sânscrito arcaico, e, naturalmente, no querido Garrincha, nem que tivessem de providenciar uma categoria especial para ele.