Glifosato. Herbicida mais vendido em Portugal aumenta risco de linfoma em 41% diz novo estudo

Segundo um estudo publicado esta semana há um risco acrescido de 41% para os trabalhadores expostas ao glifosato.

Os efeitos da exposição ao glifosato continuam a ser estudados e a levantar muitas questões quanto aos efeitos na saúde pública. Um novo estudo da Icahn School of Medicine em Mount Sinai, Nova Iorque, revela que há uma ligação entre a exposição ao herbicida e o Linfoma não Hodgkin (LNH). Segundo o documento publicado na Science Direct há um risco acrescido em 41% para os trabalhadores que estão em contacto com o químico.

"Estes resultados são muito convincentes ", disse ao Le Monde uma das autoras do estudo, Emanuela Taioli, professora de epidemiologia em Mount Sinai. A publicação, que consolida dados de todos os estudos já existentes, mostra um risco aumentado de linfoma para pessoas que foram altamente expostas ao glifosato ou a produtos à base de glifosato. Resta saber se as conclusões terão impacto ao nível judicial, visto que só nos EUA existem mais de 9000 processos judiciais contra a Monsanto, a empresa líder do mercado no fabrico do quimico, a quem acusam de estar na origem da doença cancerígena.

O glifosato, comercializado em Portugal por empresas como a Monsanto, Dow, Bayer e Syngenta, entre outras, também é vendido livremente para uso doméstico em hipermercados. Segundo a Quercus, muito embora não se possam atribuir todos os casos deste cancro a uma única substância, é relevante que Portugal apresente uma taxa de mortalidade claramente superior à média da União Europeia, sendo o sétimo país europeu onde mais se morre de LNH. Além disso, a nível nacional o LNH é o 9º cancro mais frequente (1700 novos casos por ano), de 24 avaliados.

As implicações da exposição ao glifosato estão a gerar controvérsia. O próprio fabricante reconhece a toxicidade para os organismos aquáticos, e o impacto negativo de longo prazo no ambiente, por exemplo, estando o químico em processo de reavaliação na União Europeia, depois de uma polémica. Em janeiro soube-se que os especialistas que foram contratados pela União Europeia para avaliar a segurança do herbicida -- que obteve autorização para ser usado por mais cinco anos apesar das suspeitas de causar cancro - copiaram 70% do relatório a partir de textos da empresa produtora, a Monsanto.

Em março de 2015, o Centro Internacional de Investigação do Cancro (IARC), da Organização Mundial de Saúde, considerou o glifosato como "provavelmente cancerígeno". Além de induzir resistência a antibióticos nas bactérias com que entram em contacto.

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