Dos furacões à neve. O que se passa com o tempo no Havai?

Foi um ano de fenómenos meteorológicos extremos, com alguns recordes a assinalar. O arquipélago do Havai no Oceano Pacífico, território dos Estados Unidos, está agora braços com ventos e fortes e queda de neve

Primeiro foi um episódio de chuva extrema, como nunca se tinha visto antes, depois foram três furacões quase seguidos, com ventos ciclónicos, numa sequência inédita, agora é a neve que surge em altitudes relativamente baixas, acompanhada de ventos fortes. Afinal o que se passa com o tempo no Havai?

A resposta é, provavelmente, idêntica à de todas as perguntas como esta que, nos últimos anos, andam no ar nas mais diversas geografias, da Europa à Ásia, das Américas à Austrália, ou ao Ártico. Os fenómenos meteorológicos extremos estão a aumentar em todo o mundo e o suspeito é o do costume: o aquecimento global.

De todo o lado chegam notícias que mostram a mesma tendência: chuvas intensas, ventos e temperaturas extremas, os furacões em maior número, e em latitudes inéditas, estão a acontecer ao ritmo vertiginoso dos tempos, acompanhados de destruições devastadoras, como as grandes inundações ou os fogos incontroláveis, tudo a bater certo com o que os modelos climáticos já antecipavam há mais de uma década. Chegou agora a vez do Havai entrar neste mapa da meteorologia avariada.

Depois de um ano de fenómenos meteorológicos extremos, que se sucederam uns aos outros, em catadupa, o arquipélago enfrenta agora uma tempestade de inverno de rara intensidade, com ventos máximos - e históricos - de 300 km por hora (km/h), e a neve, coisa rara por ali, a cobrir os picos a partir dos 1800 metros de altitude.

"É o vento mais forte que alguma vez vi nesta região", admitiu ao The Washington Post o meteorologista Jon Jeselma, do instituto de meteorologia de Honolulu, no Havai. "Às vezes registamos ventos da ordem do 200 km/h, mas nunca 300", sublinhou.

O ano meteorológico anómalo no arquipélago incluiu, em 14 e 15 de abril de 2018, um episódio de chuva extrema, que bateu o recorde histórico de pluviosidade no território, com o registo, em apenas 24 horas, de 1192 mm de chuva - o que significa um volume de mil litros de água por metro quadrado. Foi a maior chuvada em apenas 24 horas desde que há registos, para todo o território dos Estados Unidos.

Quatro meses depois, entre 22 e 26 de agosto, o furacão Lane despejou outra quantidade absurda de chuva na Big Island durante quatro dias. Novo recorde para uma tempestade tropical, com a soma do total de pluviosidade a chegar aos 1300 mm.

A última época de furacões foi aliás especialmente ativa no arquipélago. Logo a a seguir ao Lane, chegou ali o Olivia, e, em outubro, o Walaka, de categoria 5 (a mais intensa), que fez desaparecer uma ilha. Foi também um recorde de furacões numa só época, na região.

Na temperatura, também há picos inéditos a assinalar. Desde 1950, a temperatura média de Honolulu já aumentou cerca de dois graus, mas isso não impede que nas temperaturas baixas se atinjam igualmente valores inéditos. Foi o caso agora, a 10 de fevereiro. No topo do vulcão Mauna Kea, as temperaturas máxima e mínima foram, respetivamente, 10 e 12 negativos Celsius.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.