Dois babuínos sobrevivem mais de seis meses com corações de porcos

Trata-se de uma nova esperança para transplantes cardíacos de órgãos de porcos em seres humanos

Cientistas da Universidade de Munique, na Alemanha, conseguiram que dois babuínos sobrevivessem três meses com o coração de um porco transplantado no peito - outros dois chegaram ao seis meses antes de serem sacrificados. O trabalho, coordenado por Bruno Reichart, é publicado esta quarta-feira na prestigiada revista científica Nature, citada pelo El País.

O resultado da experiência é visto como um modelo para converter, no futuro, os porcos numa fonte para transplantes cardíacos em humanos já que mais do que triplica o recorde anterior de 57 dias de sobrevivência.

Apesar de ser uma esperança para a escassez de órgãos, é extremamente difícil fazer funcionar um órgão de uma espécie noutra. Por isso, os cientistas tomaram várias medidas para garantir algum sucesso da sua experiência: por um lado, recorreram a porcos geneticamente modificados para garantir semelhanças entre os seus corações e os dos babuínos no sentido de não serem rejeitados pelo sistema imunitário; por outro, suprimiu-se as defesas dos primatas para assegurar uma boa recetividade do coração. E não se registaram infeções perigosas.

Os peritos da Universidade de Munique deram outros passos que podem ter sido fundamentais para o sucesso dos transplantes e que estão diretamente relacionados com a manutenção da integridade do órgão. Assim, em vez de conservarem o coração no frio, bombearam uma solução refrigerada com sangue oxigenado, nutrientes e hormonas.

Na primeira fase da experiência, concluiu-se que os corações dos porcos cresciam dentro do peito dos babuínos até lhe provocar a morte - para o evitar, reduziram a pressão sanguínea dos primatas até alcançarem um nível estável e fizeram-lhes tratamentos farmacológicos e hormonais.

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