Como a ondulação obriga a repor areia no verão? Especialistas explicam

Durante o mês de agosto, as praias da Costa da Caparica vão encerrar à vez por causa dos trabalhos de reposição de areia. A Agência Portuguesa do Ambiente afirma ao DN que a intervenção tem de ser feita no verão porque "as condições de agitação marítima são as mais favoráveis".

A reposição de areia vai obrigar ao encerramento à vez das praias da Costa da Caparica durante o mês de agosto. Os concessionários dos apoios de praia contestam a intervenção no verão, tendo em conta o impacto que as obras vão ter. Ao DN, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) esclarece que as alimentações artificiais de praias "têm de ser executadas no período de verão pois é a altura, por razões técnicas e operacionais, em que as condições de agitação marítima são as mais favoráveis".

A APA especifica dando um exemplo. "Com ondulação de dois metros de altura ou superior já não é possível desenvolver os trabalhos indispensáveis". Este esclarecimento vai ao encontro do que José Ricardo Martins, presidente da Junta de Freguesia da Costa da Caparica, disse ao DN. "O bombeamento de areia para terra só pode ser feita com uma ondulação abaixo dos dois metros e o vento também pode influenciar. Tem também que ver com as marés - a distância entre a baixa-mar e a praia-mar", referiu o autarca.

A operação de enchimento das praias com areia retirada ao largo e transportada para terra através de um tubo que está colocado num barco foi anunciada em março pelo Ministério do Ambiente.

Chegou a estar agendada para maio, mas os trabalhos não foram iniciados por faltar o visto do Tribunal de Contas. Assim que o documento chegar, o que se prevê no final deste mês ou início de agosto, a obra vai começar. Uma operação que irá custar 6,3 milhões de euros, com parte da verba suportada por fundos comunitários.

A colocação de um milhão de metros cúbicos de areia nos diversos areais vai limitar o acesso às praias por períodos de cinco dias em cada uma, conforme o DN noticiou. "Salvaguardando ainda essenciais condições de segurança, as praias que irão ser alimentadas terão de ficar temporariamente interditas durante a execução dos respetivos trabalhos, 24 horas por dia e 7 dias por semana. Estima-se que essa interdição temporária seja em média de 3 a 5 dias".​​​​​​, explica a APA.

Apresentação da intervenção aconteceu a 3 de julho

O organismo refere ainda que no dia 3 de julho decorreu nos serviços da Câmara Municipal de Almada uma apresentação da intervenção nas praias da Costa da Caparica com o objetivo de divulgar a operação. Estiveram neste encontro, "além dos eleitos locais e técnicos da autarquia, incluindo a presidente da Câmara [de Almada], o presidente da junta de freguesia da Costa da Caparica, da Capitania do Porto de Lisboa/Polícia Marítima e das associações de concessionários".

Na apresentação desta operação, foram explicados "todos os trabalhos e intervenientes que antecederam o lançamento do concurso público (protocolo APA e Administração do Porto de Lisboa), a execução de outras tarefas necessárias à execução da obra, nomeadamente os levantamentos hidrográficos do canal sul da barra de Lisboa onde as areias serão dragadas, os levantamentos topo-hidrográficos do troço de costa intervencionado, das análises prévias granulométrica e físico-química das areias, da fiscalização dos trabalhos, bem como das vantagens e transtornos temporários decorrentes da sua execução".

O organismo afirma que durante os períodos de interdição é possível saber através da aplicação da APA (Info Praia) quais as praias que estarão com trabalhos a decorrer, "sem prejuízo de outras medidas de informação, divulgação e sinalética a utilizar".

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