Asteroides são mais difíceis de destruir do que Hollywood e a ciência pensavam

Novo estudo de universidades norte-americanas mostra que é preciso muito mais energia para destruir estes corpos celestiais que podem ameaçar a Terra

Bruce Willis e a equipa que salvou a Terra da destruição no filme Armageddon, há mais de 20 anos (1998), não vão gostar desta notícia. É que, afinal, destruir asteroides requer um pouco (ou bastante) mais esforço do que Hollywood foi projetando nos seus filmes de ficção científica.

Essa é, pelo menos, a conclusão de um novo estudo levado a cabo por investigadores das Universidades de John Hopkins e de Maryland, nos EUA. De acordo com este estudo, os asteroides são consideravelmente mais difíceis de destruir e exigem uma força maior de energia do que os cientistas tinham calculado.

O problema é que a importância do estudo não se limita às produções cinematográficas de Hollywood. Os asteroides, e a possibilidade de um corpo desses de grande dimensão ameaçar a Terra, são um problema real que a comunidade científica acredita ter provocado já a extinção dos dinossauros na era Jurássica. Por isso, é importante encontrar a resposta adequada ao enigma: "É melhor partir o asteroide em pequenos pedaços ou desviá-lo para ir numa direção diferente? E se for esta última opção, com quanta força devemos acertar-lhe para o mover sem causar rutura?", questiona o cientista Charles El Mir, líder deste novo estudo.

Para tentar responder às perguntas com a sua equipa na Universidade John Hopkins, El Mir baseou-se em modelos computacionais que simularam a colisão de dois asteroides: um asteroide alvo, com um diâmetro de 25 quilómetros, e um asteroide menor com um diâmetro inferior a 1,5 km, que atingiu o alvo a uma velocidade de 4,5 quilómetros por segundo.

A experiência evidenciou que, em vez de o pequeno asteroide estilhaçar o maior, como se pensava, o asteroide maior permaneceu relativamente intacto.

"Nós costumávamos acreditar que quanto maior o objeto, mais facilmente ele quebraria, porque os objetos maiores são mais propensos a ter falhas", explicou Charles El Mir, em comunicado. "As nossas descobertas, no entanto, mostram que os asteroides são mais fortes do que costumávamos pensar e exigem mais energia para serem completamente destruídos", observou.

As descobertas colocam questões para os cientistas, que procuram a melhor fórmula para lidar com os asteroides em rota de colisão com a Terra. "Somos afetados com bastante frequência por pequenos asteroides", lembra K.T. Ramesh, diretor do Hopkins Extreme Materials Institute. "É apenas uma questão de tempo até que essas questões deixem de ser meramente académicas e passem a definir a nossa resposta a uma grande ameaça", acrescentou. "Precisamos ter uma boa ideia do que devemos fazer quando chegar a hora - e esforços científicos como este são fundamentais para nos ajudar a tomar essas decisões".