Há meio milhão de insetos em risco de extinção e isso é um perigo para a humanidade

O declínio no número de borboletas, besouros, formigas, abelhas, vespas, moscas, grilos e libélulas tem consequências muito além de sua própria morte, alertam cientistas que decidiram fazer um aviso à humanidade - o terceiro em 25 anos.

Há um milhão de espécies animais e vegetais em extinção na Terra e metade são insetos. Os cientistas dizem que o seu desaparecimento pode ser catastrófico e resolveram lançar um "aviso à humanidade".

"A atual crise de extinção de insetos é profundamente preocupante", disse Pedro Cardoso, biólogo português que trabalha no Museu Finlandês de História Natural e principal autor de um estudo sobre a matéria publicado na segunda-feira. "No entanto, o que sabemos é apenas a ponta do iceberg", disse o biólogo à AFP.

O desaparecimento de insetos que voam, rastejam, escavam, saltam e andam sobre a água faz parte de uma verdadeira extinção em massa, a sexta nos últimos 500 milhões de anos.

A última extinção aconteceu há 66 milhões de anos, quando um meteoro destruiu os dinossauros e a maioria dos seres vivos na Terra. Mas, desta vez, lembra a AFP, a culpa será do homem.

"A atividade humana é responsável por quase todos os declínios e extinções na população de insetos", disse Pedro Cardoso à AFP.

Os principais fatores para a extinção atual são o habitat cada vez menor e degradado, seguido por poluentes - especialmente inseticidas - e espécies invasoras.

A superexploração - mais de 2.000 espécies de insetos fazem parte da dieta humana - e as mudanças climáticas também estão a causar prejuízos.

O declínio de borboletas, besouros, formigas, abelhas, vespas, moscas, grilos e libélulas tem consequências muito além de sua própria morte.

"Com a extinção de insetos, perdemos muito mais que espécies", disse Cardoso. "Muitas espécies de insetos são provedores vitais de serviços insubstituíveis", incluindo polinização, movimento de nutrientes e controle de pragas.

Esses "serviços ecossistémicos" valem cerca de 2 mil milhões de euros por ano apenas nos Estados Unidos, segundo investigações anteriores. São muitos os animais que dependem de insetos abundantes para sobreviver.

Cinco milhões e meio de insetos - só um quinto identificado

Uma queda acentuada no número de aves na Europa e nos Estados Unidos, por exemplo, tem sido associada ao colapso das populações de insetos dizimadas pelo uso de pesticidas.

Os cientistas estimam o número de espécies de insetos em cerca de 5,5 milhões, mas apenas um quinto está identificado e nomeado

"O número de espécies de insetos ameaçadas e extintas é lamentavelmente subestimado, porque muitas são raras ou não estão identificadas", afirma o biólogo Pedro Cardoso.

Existe uma Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), mas foram apenas avaliadas 8.400 espécies de insetos num universo de um milhão que os cientistas conhecem.

Cinco a 10% de todas as espécies de insetos desapareceram desde a revolução industrial.

Metade das espécies indígenas de plantas e vertebrados são encontradas exclusivamente em cerca de três dúzias de "hotspots" de biodiversidade que cobrem 2,5% da superfície da Terra.

"Esses hotspots provavelmente abrigam uma percentagem semelhante de espécies endémicas de insetos", frisa o estudo intitulado "Aviso dos cientistas à humanidade sobre extinção de insetos", publicado na Conservation Biology.

Há um quarto de século, os cientistas da conservação emitiram um "Aviso à humanidade" sobre o colapso da natureza. Em 2017, emitiram um segundo aviso, assinado por 15.000 cientistas.

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