"A mudança está a chegar, quer queiram ou não". Greta encerra Marcha pelo Clima

Jovem ativista voltou à Marcha pelo Clima depois de ter sido obrigada a sair por questões de segurança. Voltou para o comício final e deixou uma certeza: "A mudança está a chegar, quer queiram ou não, porque não temos outra hipótese"

Greta Thunberg discursou na zona de Nuestros Ministerios, em Madrid, no final da Marcha pelo Clima que juntou vários milhares de pessoas na capital espanhola. "Estamos aqui porque os líderes mundiais vieram negociar o nosso futuro. O mundo não está no COP 25 [a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2019, que decorre até 13 de dezembro em Madrid], o mundo está aqui convosco para combater as alterações climáticas. Vocês são a esperança, não os políticos. A mudaça de que precisamos não virá dos poderosos, virá das massas. E a mudança está a chegar, quer queiram ou não, porque não temos outra hipótese", disse.

Fez, ainda, questão de sublinhar o número de participantes na manifestação, 500 mil segundo as organizações pertencentes ao movimento FridaysforFuture.

Seguiram-se os manifestos de várias organizações ecologistas e sociais, personalidades como o ator espanhol Javier Bardem, também música e poesia.

Greta tinha deixado a manifestação junto ao Museu do Prado, sob recomendação da polícia, por não conseguir avançar, rodeada de manifestantes e de jornalistas. "A polícia disse que não podia continuar por segurança. Gostaria muito de participar, mas é uma questão de segurança, há muitos jornalistas e gente à minha volta, peço desculpa, mas não é possível acompanhar a marcha", explicou.

Antes, pediu ação imediata aos políticos: "Têm de agir já, não podemos esperar mais um minuto", em conferência de imprensa..

Vários ativistas intervieram num comício de encerramento da manifestação, muitos dos representantes das 850 organizações internacionais ecologistas e nacionais presentes na ação de protesto, nomeadamente portuguesas. Também os dirigentes do PAN e do BE, André Silva e Catarina Martins, além de artistas. Entre eles, o ator espanhol Javier Bardem, que falou pelas 20:30 (19:30 em Portugal).

Ouviu-se música e muitas palavras de ordem: "Se o clima fosse um banco, já o teriam resgatado", Não há planeta B"; Um planeta, uma oportunidade", Emergência Climática, medidas já".E, entre a multidão, muitos gritavam pelo nome de Greta.

Thunberg juntou-se à marcha depois de ter chegado nesta sexta-feira à capital espanhola, após uma viagem de comboio desde Lisboa. Antes desta marcha, a ativista sueca deu uma conferência de imprensa onde frisou a necessidade de ação imediata: "Os políticos precisam de agir já, não podemos esperar mais um minuto".

"Conseguimos muito apoio, mas não é suficiente, não é uma vitória", sublinhou Thunberg perante as perguntas dos jornalistas. "Queremos ações concretas e, no entanto, não aconteceu nada. A crise climática continua a ser ignorada por quem está no poder. Não queremos continuar assim e gostaríamos de ver ações porque há pessoas a sofrer e a morrer devido à emergência climática", disse Greta Thunberg em conferência de imprensa, com outros três ativistas do movimento FridaysforFuture: Vanessa Nakate, do Uganda, Alejandro Martinez e Shari Crespi, de Espanha,

Acompanhe a Marcha pelo Clima a decorrer em Madrid:

"Não há justiça climática sem justiça social"

A espanhola Shari Crespi criticou quem está à procura de causas para as alterações climáticas, quando "a principal causa é o colonialismo". Argumentou: "Pedimos aos líderes políticos que não atribuam um valor à vida, a vida não tem um preço, a vida tem que ser superior ao dinheiro".

E, quando no final da conferência de imprensa, alguém gritou: "No Chile, há crianças a morrer nas ruas", fez questão de afirmar: "Não há justiça climática sem justiça social". Aliás, a situação do Chile esteve presente em várias perguntas.

Vanessa Nakate, do Uganda, ilustrou: "Em África, há milhares de deslocados e pessoas a morrer devido ao clima, portanto, este não é um problema do futuro, é um problema do presente".

Para Alejandro Martinez, de Espanha, já deveriam ter sido tomadas medidas efetivas, mas este é um bom momento para o fazer. "É a primeira Cimeira do Clima, desde que muitos países declararam a crise da emergência climática e é a última antes do Acordo de Paris entrar em Vigor. Temos de ser muito ambiciosos". O jovem pediu para os peritos serem ouvidos, já que os ativistas apenas podem alertar para a situação.

A conferência de imprensa, antes começar a Marcha pelo Clima e à margem da conferência dos líderes mundiais sobre alterações climáticas (COP 25), não pretendeu ser uma crítica ostensiva aos políticos, frisaram os jovens. "A Cimeira do Clima não pode ser ignorada, temos de aproveitar todas as oportunidades para melhorar. Espero que a COP 25 signifique algo concreto e, também, que nos consciencializemos mais sobre a crise climática", disse Greta Thunberg.

A conferência de imprensa realizou-se na Casa Encendida, na presença de 420 jornalistas, um recorde desde que foi inaugurada, em 2002, segundo dados da Fundación Montemadrid, que gere o espaço.

A Marcha pelo Clima foi convocada pela Juventude pelo Clima, Rebelião pelo Clima, Aliança pelo Clima e Aliança pela Emergência Climática.

Este e outros eventos são realizados à margem da Cimeira das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas conhecida como COP25 que foi transferida de urgência, a 1 de novembro para Madrid, depois de o Chile ter anunciado que renunciava à sua organização, devido à contestação social sem precedentes no país.

Atualizado às 21:30

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