Gripe moderada e com tendência decrescente. DGS acredita que o pico já passou

Um inverno que não tem sido rigoroso e o aumento da vacinação contribuíram para uma época gripal "de intensidade baixa a moderada". O vírus B tem sido dominante, contrariamente ao que acontece nos outros países europeus.

A gripe em Portugal está a registar uma atividade "baixa a moderada com tendência decrescente", anunciou, esta quinta-feira, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, num balanço feito aos jornalistas sobre a atividade gripal. O clima ameno para a época do ano, o tipo de vírus (menos intenso que no resto da Europa) e o aumento da vacinação levam a Direção-Geral da Saúde (DGS) acreditar que o surto de gripe já atingiu o pico.

Tal como previsto, a fase epidérmica começou a apresentar sinais de atividade crescente a partir da primeira semana de dezembro. Sendo que o maior número de episódios de urgência foi registado a 26 de dezembro, dia em que os hospitais receberam 23 100 doentes. "Até à data - com todos os sistemas de vigilância - tudo indica que tivemos uma atividade gripal baixa a moderada, com tendência decrescente. Pelo menos nalgumas regiões do país já estivemos no pico. Mas poderá sempre haver uma segunda onda, basta haver uma alteração drástica do clima e do vírus", afirmou Graça Freitas. Portugal tem apresentado casos de gripe apenas com o vírus B, contrariamente ao que acontece nos outros países europeus, onde predomina o vírus gripal A, mais intenso.

A mortalidade "está de acordo com o esperado [para a época] e até um pouco abaixo", o que pode ser explicado, segundo Graça Freitas, pelas temperaturas de inverno "amenas" e por um maior reforço na prevenção, nomeadamente através da vacinação. "Nunca se vacinou tanto tanto em Portugal", diz a DGS. Mais de dois milhões de portugueses tomaram a vacina para a gripe, tendo sido registado um aumento de 10% no número de vacinas dadas no Serviço Nacional de Saúde face ao ano anterior, para além das tomas fornecidas pelas farmácias.

Apesar da intensidade moderada a nível nacional, a atividade da gripe apresenta diferenças regionais. Tem sido mais sentida na região Norte e Centro. Já o Algarve só agora começa a entrar na fase epidérmica e o Alentejo nem sequer chegou a ter um surto "aparentemente", informa a DGS. Os níveis de intensidade gripal desta época só são comparáveis com os de 2015. Mesmo assim, há quatro anos, os episódios de gripe prolongaram-se por várias semanas.

Camas extras nos hospitais não estão esgotadas

Em relação à necessidade de acionar mais meios do plano de contingência nos hospitais e disponibilizar mais camas, Ricardo Mestre da Direção da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) garantiu, na mesma conferência, que cerca de 50% das camas extras previstas não estão a ser utilizadas. "Efetivamente têm havido picos de procura" e no caso da região de Lisboa e Vale do Tejo estes são mais evidentes do que noutros pontos do país, mesmo assim as camas não estão esgotadas.

Os hospitais onde a pressão se nota mais são o Hospital Fernando Fonseca, mais conhecido como Amadora-Sintra, e no Hospital de Setúbal, segundo Ricardo Mestre.

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