Brasil consegue recuperar crânio mais antigo das Américas

Os investigadores já identificaram 80% dos fragmentos nos escombros do Museu Nacional do Brasil e acreditam que seja possível recuperar todo o crânio de Luzia. Também acharam parte do fémur.

Os investigadores do Museu Nacional do Brasil revelaram ter encontrado os fragmentos do crânio de Luzia, o fóssil humano mais antigo das Américas, entre os escombros do edifício que ardeu no início de setembro. Até agora, os especialistas acreditavam que tinha ficado totalmente destruído.

"Os danos foram muito menores do que a gente imaginava", disse a professora e antropóloga Cláudia Carvalho, coordenadora da equipa de resgate do acervo museológico numa conferência de imprensa, na passada sexta-feira.

Os investigadores já identificaram 80% dos fragmentos, mas estão confiantes de que será possível recuperar todo o crânio, que está em fragmentos porque o calor derreteu a cola que mantinha os pedaços juntos.

Todas as partes encontradas - além do crânio, parte do fémur - estavam numa caixa de metal dentro de um armário também de metal, precisamente para evitar acidentes. A caixa foi encontrada parcialmente destruída. Os ossos que estavam em exposição (incluindo fragmentos da bacia e ossos das pernas e dos braços) não foram ainda encontrados.

A fragilidade do esqueleto era a razão pela qual este não ficava em exposição permanente.

Quem era Luzia?

Descoberto em 1975 na Lapa Vermelha, região de Lagoa Santa, em Minas Gerais, o fóssil de Luzia tem 12 mil anos. Foi batizado assim em homenagem a Lucy, o fóssil de hominídeo mais antigo do mundo, com 3,2 milhões de anos, que tinha sido descoberto na Etiópia um ano antes.

A Luzia mostrou que o continente americano foi ocupado por duas levas migratórias de Homo sapiens vindos do nordeste da Ásia. A primeira era dos antepassados de Luzia, que tinham traços africanos e australianos. Antes, acreditava-se numa única ocupação do continente a partir do Novo México, nos EUA.

O Museu Nacional do Brasil, fundado por D. João VI há mais de 200 anos, ardeu a 2 de setembro, e grande parte da sua coleção histórica ficou perdida.

Os trabalhos de recuperação do espólio ainda não começaram oficialmente, estando ainda a decorrer os trabalhos para garantir a segurança ao que restou do edifício. "Nós ainda não iniciámos as atividades de salvamento do material que está nos escombros. Mas à medida que vamos avançando no trabalho de escoramento, acabamos por fazer alguns achados. A expectativa é encontrar muitos outros tesouros importantes", indicou o diretor do Museu Nacional, o paleontólogo Alexander Kellner,