Coalas na Austrália estão a morrer à fome e à sede. Zoo de Lisboa quer ajudar

"Os habitats desapareceram, não têm nada para comer e muitos riachos e rios estão secos", alerta Kellie Leight, investigadora de campo do Zoo de San Diego. Jardim Zoológico vai disponibilizar mealheiros no interior do parque para que os visitantes possam contribuir.

O Zoo de San Diego partilhou um comunicado oficial em vídeo, onde Kellie Leight, investigadora de campo apoiada pelo programa de conservação de koalas in situ do Zoo de San Diego (EUA), conta na primeira pessoa pelo que estão a passar os investigadores que desde o início dos incêndios tentam salvar as espécies dos fogos florestais na Austrália.

Em resposta às ameaças que a vida selvagem e os habitats enfrentam na Austrália, o San Diego Zoo Global criou um site em nome próprio para a angariação de fundos, para apoiar a recuperação de coalas, ornitorrincos e outras espécies ameaçadas por estes fogos florestais - EndExtinction.org.

De forma a participar nesta missão, o Jardim Zoológico de Lisboa anuncou que vai contribuir diretamente com o seu Fundo de Conservação e vai ainda disponibilizar mealheiros no interior do parque, de janeiro a março, para que os visitantes possam também contribuir. O dinheiro recolhido nos mealheiros irá reverter integralmente para o fundo criado pela Sociedade Zoológica de San Diego, no apoio à fauna e flora australianas.

"O constante contacto com os nossos colegas australianos tem-nos dado uma ideia muito próxima de tudo o que está a acontecer no campo e é nosso dever ajudar a partilhar esta informação", conta José Dias Ferreira, responsável pelo Fundo de Conservação do Jardim Zoológico.

Em comunicado, o Zoo de San Diego informa que neste momento em que os fogos que atingiram as Blue Moutains acalmaram, os investigadores do projeto preparam-se para entrar no terreno para começar a procurar animais.

Devido às árvores altas e ao terreno acidentado da área, a observação visual de coalas na região não era viável pelo que, desde 2015, os investigadores usam uma abordagem inovadora de marcação por rádio para seguir os indivíduos, o que permitiu identificar e resgatar 12 coalas em perigo nestes incêndios.

"As alterações climáticas estão a agir como um multiplicador de ameaças"

No vídeo partilhado, Leigh confessa que os "incêndios estão a mudar por completo a forma como a gestão da vida selvagem será realizada no futuro, na Austrália", alertando ainda que "há um problema de escala muito maior que se aproxima agora, que é a desidratação e fome de animais, incluindo coalas. Os coalas retiram a água que necessitam das folhas que comem, mas nestes tempos de recorde de calor e seca, estão a descer até às barragens e cursos de água para tentarem beber água. Os habitats desapareceram, não têm nada para comer e muitos riachos e rios estão secos. Temos de começar a lidar com esse problema".

Segundo Megan Owen, diretora da Sustentabilidade Populacional da Sociedade Zoológica de San Diego, "os colegas na Austrália vão-nos transmitindo as suas preocupações sobre quais as espécies e habitats que permanecerão no fim desta tragédia. Historicamente, pequenos incêndios florestais ocorreram naturalmente sem devastar uma população inteira. No nosso mundo moderno, as alterações climáticas estão a agir como um multiplicador de ameaças, criando cenários em que as espécies são repentinamente empurradas para a extinção e precisam de intervenção humana imediata para conseguirem sobreviver", salienta.

Desde 1991 que o Jardim Zoológico de Lisboa participa no programa de conservação in situ de coalas, em colaboração com a Sociedade Zoológica de San Diego (EUA).

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