Chimpanzés podem ser a chave para explicar como os humanos começaram a dançar

Experiência de primatologista Yuko Hattori em 2014 revelou que chimpanzés balançam espontaneamente tanto com batidas rítmicas como com sons aleatórios

Uma primatologista poderá ter descoberto a razão pela qual os humanos começaram a dançar. Em 2014, Yuko Hattori estava a tentar ensinar uma mãe chimpanzé a manter o ritmo num pequeno teclado eletrónico enquanto tocava uma nota de piano repetitiva no seu laboratório, sob a condição de o animal receber uma pedaço de maçã.

Tudo correu conforme esperado na sala de experiências, mas numa sala ao lado algo estranho estava a acontecer: o filho daquela chimpanzé começou a balançar o corpo para a frente e para trás, quase como se estivesse a dançar, enquanto ouvia a batida. "Fiquei chocado. Eu não sabia que, sem nenhum treino ou recompensa, um chimpanzé se envolvesse espontaneamente com o som", disse Hattori, citado pelo portal Science .

Cinco anos depois, a primatologista publicou a investigação, mostrando que os chimpanzés reagem a sons, tanto rítmicos como aleatórios, a dançar. "Este estudo é muito interessante", disse Andrea Ravignani, bióloga cognitiva do Centro de Investigação e Reabilitação de Focas, que investiga a evolução do ritmo, da fala e da música e acredita que o trabalho de Hattori poderá ajudar a explicar a evolução da dança nos humanos.

No estudo, Hattori e a colega Masaki Tomonaga, da Universidade de Kyoto, reproduziram um vídeo de dois minutos de tons de piano repetitivos e espaços uniformemente a sete chimpanzés (três machos e quatro fêmeas). Ao ouvir o som, os chimpanzés começaram a estremecer, balançando para a frente e para trás e em alguns casos batendo os dedos ou os pés ou até emitindo sons. Todos os chimpanzés mostraram algum movimento rítmico, embora os machos se tivessem movido mais tempo do que as fêmeas.

Para descobrir se os animais estavam a dançar uma batida específica ou se seria uma série de sons que os movia, Hattori escolheu um chimpanzé, Akira, que era uma das mais entusiastas dançarinas dos testes realizados anteriormente, e testaram-na durante 24 horas para ver se ela oscilava em resposta a sons aleatórios e batidas rítmicas. Ao contrário dos humanos, Akira dançava tanto quando ouvia uma sequência aleatória de sons como quando ouvia uma batida rítmica.

Este comportamento dos chimpanzés no laboratório está alinhado com o comportamento deles na natureza, uma vez que eles fazem "danças da chuva", balançando quando ouvem o som aleatório das gotas da chuva a cair na floresta. Movimentos em resposta a sons aleatórios podem ser o "início da evolução da dança", diz Hattori, que acredita que os humanos tenham posteriormente a restringir esse comportamento a sons rítmicos.

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