Britânicos veem no envelhecimento da população uma oportunidade de negócio

Especialistas ingleses e portugueses juntaram-se na Fundação Calouste Gulbenkian para pensar e debater estratégias para um envelhecimento saudável e ativo.

O Healthy Ageing UK-Portugal Forum, promovido pela embaixada britânica em Portugal, juntou especialistas falar sobre envelhecimento ativo, lançando o desafio de pensar em como aproveitar o potencial da inovação para satisfazer as necessidades de uma sociedade cada vez mais envelhecida.

Portugal e o Reino Unido partilham uma velha aliança, como lembraram Carlos Moedas, administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, e Chistopher Sainty, embaixador britânico em Portugal, e uma demografia marcada pelo envelhecimento da população.

Mas se os números relativos ao envelhecimento não diferem muito, os que se referem ao envelhecimento ativo e saudável revelam uma diferença significativa, diz o professor Asghar Zaidi, do Oxford Institute of Population Ageing, que tem passado os últimos anos a reunir e analisar dados e indicadores de diversos países para determinar o Active Ageing Index, um instrumento útil para decisores políticos e todos os que trabalham nesta área. Enquanto o Reino Unido ocupa o 7º lugar, Portugal fica-se pelo 21º.

As diferenças não acabam aqui. Enquanto os ingleses encaram o envelhecimento como uma oportunidade de negócio, o incluíram como um dos grandes desafios da estratégia industrial, os portugueses continuam a ver esta matéria como uma questão sobretudo do domínio da saúde - falou-se muito de doenças crónicas, dependência e gastos com a segurança social. Seja como for, a inovação é um caminho que, embora com velocidades diferentes, ambos os países perceberam que é incontornável para promover um envelhecimento ativo e saudável.

Na habitação, nos transportes, nos cuidados de saúde, na prevenção da doença, no apoio social, na luta contra a solidão, o isolamento e as diversas desigualdades, existem soluções já criadas ou em desenvolvimento, com recurso às novas tecnologias, ao digital, à robótica, à inteligência artificial ou às últimas descobertas na área da medicina. As 4 Gerational Kitchen ou os bancos de rua desenvolvidos pelo UK's National Innovation Centre for Ageing, os serviços de saúde digital prestados pela Hope Care ou o software de gestão de cuidados da Nourish Care foram alguns dos "produtos" inovadores apresentados neste Forum.

Coimbra parece estar no epicentro da inovação no que ao envelhecimento ativo e saudável em Portugal. Rodrigo Cunha deu a conhecer o futuro Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento, que tem como objetivo dar mais qualidade aos futuros que o aumento da esperança de vida alargou. "Envelhecimento 2.0", diz o coordenador do novo instituto.

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