Aquecimento da temperatura no Mediterrâneo é 20% mais rápido que média do planeta

Os dados são alarmantes: vêm aí mais ondas de calor, "mais significativas e duradouras" e "secas extremas serão mais frequentes". Portugal está também na linha da frente desta crise, que atinge 500 milhões de pessoas.

A bacia do Mediterrâneo é um dos pontos quentes da crise climática e alguns dos seus impactos "atingem" esta região "com mais força do que em outras partes do mundo", assegura o professor Wolfgang Cramer, diretor científico do Instituto Mediterrâneo de Biodiversidade e Ecologia, com sede em França, em declarações ao jornal espanhol El País.

Há um exemplo que confirma esta afirmação: o aumento da temperatura na região do Mediterrâneo já atingiu 1,5 graus em comparação com os níveis pré-industriais, o que significa que o aquecimento nesta bacia é 20% mais rápido do que na média do planeta, afetando 500 milhões de pessoas de três continentes.

Sem medidas adicionais que reduzam os gases com efeito de estufa, Wolfgang Cramer estima que o que se seguirá é muito pior, na descrição do jornal. Em 2040, esse aumento chegará a 2,2 graus e possivelmente excederá 3,8 em algumas regiões da bacia em 2100. Além disso, em apenas duas décadas, 250 milhões de pessoas sofrerão com a falta de água na região devido às secas.

O mapa que acompanha a notícia do El País mostra como Portugal também sofrerá com estes aumentos: por todo o Norte do país, no Centro e parte do Sul Interior, a temperatura subirá 2 a 3 graus e, na faixa costeira do Oeste e Sul, o aumento será entre 1,5 e 2 graus.

Estes dados estão incluídos num relatório cujos primeiros resultados são apresentados esta quinta-feira em Barcelona, durante a reunião da União para o Mediterrâneo, uma organização internacional na qual estão representados os países dos três continentes que partilham as águas do mar, incluindo Portugal.

Desde 2015, um grupo de mais de 80 cientistas coordenados por Cramer trabalha para esta organização no estudo, intitulado "Riscos associados às mudanças climáticas e às mudanças ambientais na região do Mediterrâneo".

O relatório pretende ser o grande retrato das mudanças climáticas nesta área, com base no conhecimento científico atual. "Nunca foi feita uma síntese tão completa", explica Cramer sobre o documento em que se multiplicam dados, muitos deles alarmantes.

O coordenador destaca a vulnerabilidade de muitas populações da região "porque moram muito perto do mar e também porque são pobres e têm poucas opções para se proteger ou se afastar". O relatório adverte: haverá mais ondas de calor "mais significativas e duradouras" e "secas extremas serão mais frequentes".

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