Afinal, membros de um casal não ficam mais parecidos com o tempo

Estudo contraria ideia muito generalizada na psicologia. Investigadores dizem que as pessoas procuram à partida outras semelhantes a elas

A tese vem estudos realizados nos anos de 1980 e fez escola na psicologia. E diz assim: com o passar dos anos, os rostos de ambos os membros de um casal começam a parecer-se cada vez mais entre si.

No entanto, embora esta seja uma ideia em geral aceite, e apesar de inúmeros estudos terem tentado esclarecer o motivo por que isso acontece, nunca se conseguiu arranjar uma boa explicação para ela.

Será, então, exatamente assim? - perguntou-se um grupo de investigadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos.

Para responder à pergunta, os investigadores decidiram fazer comparações de fotos públicas de mais de 500 casais de quando eram jovens e mais tardias, depois de passadas algumas décadas, usando, entre outras, tecnologias computacionais, e acabaram por chegar a uma conclusão que contraria a tese em voga.

A equipa, que foi coordenada por Michael Kosinski, não encontrou dados que pudesse confirmar que duas pessoas que vivem juntas durante décadas ganhem traços fisionómicos semelhantes com o passar dos anos.

A par disso, os investigadores confirmaram, por outro lado, que os rostos de dois membros de um casal tendem sobretudo a ter parecenças desde o início da relação.

Isso sugere, afirmam os investigadores, que as pessoas tendem a procurar nos seus pares românticos elementos de parecença consigo próprias - mesmo que não se deem conta disso.

No estudo publicado esta segunda-feira na revista Scientific Reports, os investigadores explicam que usaram dois métodos complementares para fazer comparações entre as fotografias com diferentes datas de 517 casais.

Por um lado, constituíram um grupo de observadores, e por outro desenvolveram um algoritmo, capaz de encontrar traços semelhantes nas fotografias. Feita a análise final, em nenhum dos casos encontraram mais semelhanças entre os dois membros de cada casal passadas algumas décadas.

"Não encontramos dados que confirmem a hipótese largamente disseminada de uma convergência física", escrevem os autores no artigo.

"Os rostos são similares [à partida], mas não convergem com o tempo", notam os autores, sublinhando que a resultado acaba por "estar em linha com o que acontece com outros traços do casal", como "os interesses, personalidade, valores, ou inteligência", entre outros, "que mostram semelhanças entre ambos" desde o início, "mas não convergem mais com o passar do tempo", concluem.

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