Maria de Lurdes Rodrigues

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Maria de Lurdes Rodrigues

Desafios do ensino superior em Portugal

1. Aproxima-se um novo ciclo político. O ano de 2019 será de eleições europeias e nacionais e a partir de 2020 estará aprovado um novo programa nacional financiado por fundos europeus. Com as eleições e com a preparação do novo quadro comunitário teremos um ano excecional para o debate público sobre as políticas públicas. Uma parte do debate será certamente de balanço e de avaliação da ação governativa nos vários setores, mas não pode deixar de ser também uma oportunidade de reflexão sobre os problemas que persistem e os programas de ação necessários para enfrentar o futuro. Gostava de aqui deixar hoje o que considero serem alguns dos desafios do ensino superior.

Opinião

Amarrados ao chão

1 Foi recentemente divulgado pela OCDE um importante relatório intitulado A Broken Social Elevator? How to Promote Social Mobility (Um Elevador Social Avariado? Como Promover a Mobilidade Social). O estudo que suportou este relatório conclui que, em termos gerais, há, sobretudo desde os anos 80 do século passado, uma redução das oportunidades de mobilidade social no conjunto dos países da OCDE. Isto significa duas coisas. Primeiro, que nestes países é cada vez mais provável que quem ocupa os lugares inferiores das hierarquias sociais não só neles permaneça ao longo do seu ciclo de vida como transmita essas posições aos filhos. Segundo, que quem ocupa os lugares de topo também neles permaneça e também os transmita aos filhos. Amarrados ao chão na base, colados ao teto no topo, assim seriam cada vez mais as posições no espaço das relações entre desigualdade e mobilidade nos países da OCDE.

Opinião

Habitação, mercado e políticas públicas

1 Aprovado no tempo de Salazar, o congelamento das rendas constituiu uma especificidade portuguesa com consequências desastrosas nas nossas cidades, em especial nos seus centros históricos. Não foi, porém, a única especificidade nacional. Em Portugal coexistiu, durante demasiado tempo, um dos sistemas mais rígidos de regulação do mercado de arrendamento com um dos mais desregulados, ainda que burocratizado, regimes de urbanismo e habitação. Neste domínio, como em outros, o país desenvolveu-se como sociedade dual.

Caso Contrário

Faz sentido o estatuto de catedrático convidado?

1- O tema dos professores convidados, no ensino universitário, tem aparecido nas notícias a propósito de situações muito variadas. Por um lado, a propósito de convites de universidades, hoje como no passado, a ex-políticos ou outras personalidades exteriores à vida académica. Por outro, a propósito da precarização da atividade docente através do uso do estatuto de convidado para suprir necessidades permanentes de ensino. Os debates merecem alguns esclarecimentos e uma reflexão sobre pequenas medidas, incrementais, de alteração legislativa, que permitiriam clarificar e melhorar o estatuto de professor convidado.

Opinião

Ciência e Ensino Superior em 2020

1. Termina em 2020 o prazo para os Estados membros da União Europeia alcançarem objetivos de desenvolvimento, previamente acordados, nas áreas do ambiente, do emprego, da pobreza, da educação e da ciência. Os progressos na prossecução daqueles objetivos são medidos por oito indicadores: taxa de emprego, abandono escolar precoce, população com ensino superior, investimento em investigação e desenvolvimento, consumo de energias renováveis, consumo de energia primária, emissões de gases com efeito de estufa e redução do risco de pobreza ou de exclusão social. A dois anos do fim do prazo, sabemos já que não vão ser atingidos os objetivos definidos para a área da ciência e do ensino superior. Ficaremos muito aquém dos 2,7% de despesa em I&D sobre o PIB, como ficaremos ainda aquém da meta dos 40% de adultos, entre os 30 e os 34 anos, com diploma do ensino superior. Ou seja, falhámos no investimento em ciência, como falhámos, em menor grau, nos objetivos de aumentar o acesso e o sucesso no ensino superior.

Caso Contrário

Os feriados e a economia

1 A passagem do ano é, habitualmente, um período de balanços, previsões e projetos. É também um momento para lançar sobre o ano que começa olhares muito variados. Uns assinalam o que de novo se espera nos domínios das artes e dos espetáculos, outros arriscam previsões económicas ou políticas, outros, mais ambiciosos, tentam mesmo descobrir o que ainda não está descoberto ou inventado no campo da ciência e da tecnologia.