Editorial

Leonídio Paulo Ferreira

Marcelo sabe falar aos 212 milhões de brasileiros

Serão 280 milhões os falantes atuais de português, arriscou responder Luís Faro Ramos, então presidente do Instituto Camões, numa entrevista que lhe fiz no ano passado a pretexto da primeira celebração do 5 de maio como Dia Mundial da Língua Portuguesa. E mesmo alertando para as previsões do crescimento exponencial do número de lusófonos em África ao longo do século XXI, não deixou de destacar o quanto pesa e continuará a pesar o Brasil, com 212 milhões de habitantes, nesta língua nascida num recanto da Península Ibérica e que se espalhou com as caravelas. Hoje, Luís Faro Ramos é embaixador em Brasília e, coerente, tem afirmado e reafirmado que "o Brasil é o navio-almirante da língua portuguesa" e que o esforço de promoção do idioma, até possivelmente a língua oficial das Nações Unidas, passa por uma cooperação estreita entre os dois países, também, claro, envolvendo todos os outros membros da CPLP, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

Rosália Amorim

De insensível a indiferente

Vai a "uniformidade de medidas", de que falou ontem a ministra da Saúde, Marta Temido, acabar com as restrições por concelhos? A mensagem à saída da reunião do Infarmed, que decorreu nesta terça-feira, não foi clara, mas várias autarquias celebram já um possível ponto final nas limitações. Aliviar as medidas restritivas foi o tom de todo o encontro de especialistas, mas nenhum deles recomendou (ainda) qualquer aligeirar de políticas sem olhar aos sinais individuais de cada área geográfica.

Leonídio Paulo Ferreira

Os Jogos de Tóquio não são um jogo da Nintendo

Shinzo Abe, vestido de Super Mario, heróis dos jogos de vídeo da japonesa Nintendo, foi uma improvável estrela dos Jogos Olímpicos 2016. No Rio de Janeiro, na passagem de testemunho para Tóquio 2020, o primeiro-ministro enviava ao mundo a mensagem clara de que pretendia que 2020 fosse uma celebração da pujança económica reencontrada do Japão. Uma versão no século XXI dos Jogos de 1964, igualmente realizados em Tóquio, que serviram para exibir o Japão do milagre económico, renascido das cinzas da Segunda Guerra Mundial.

Joana Petiz

Novas marés, melhores marinheiros

Pode fazer-se muitas interpretações das intenções de voto que os portugueses dizem ter para as legislativas que hão de acontecer daqui a dois anos - aceitando que este governo se mantém até ao final da legislatura, claro. Mas há leituras que são óbvias e inevitáveis. A primeira é que o PS de António Costa - que, no que um estudo do ICS identificou como "o melhor contexto possível", não conseguiu a maioria absoluta - não é capaz de descolar. O voto nos socialistas fica apenas um ponto percentual acima dos resultados obtidos em 2019, quando se inverteu o ciclo da austeridade.

Joana Petiz

Tudo isto que já nos cansa

A serenidade de Marcelo Rebelo de Sousa tem-lhe rendido pontos de refúgio nos últimos tempos, mas mesmo isso não chegou para evitar o cansaço que os portugueses demonstram sentir em relação aos seus líderes políticos. E se é verdade que o Presidente da República continua a ser querido pela maioria, o barómetro que se publica aqui é bem revelador do limite a que os portugueses estão a chegar. E que se traduz num claríssimo cartão vermelho a António Costa e ao seu governo - com destaque para um ministro da Administração Interna que, dia sim dia não, é notícia pelos mais inacreditáveis motivos, e para uma ministra da Saúde semidesaparecida em ano e meio de pandemia, que de quando em vez aparece em programas de entretenimento a anunciar as suas resoluções para a pasta. Mas há também um alerta bem presente à oposição, com Rui Rio à cabeça do infeliz cortejo, graças à surpreendente capacidade do líder social-democrata de sempre cavar mais fundo o buraco em que meteu o PSD.

Rosália Amorim

Dinheiro não traz felicidade, mas pode ajudar

"O primeiro cheque chega nas próximas semanas." Esta é a frase que o país queria ouvir relativamente à chegada dos fundos da bazuca e que foi proferida ontem pelo ministro das Finanças, João Leão. Com a economia a travar a fundo, devido à variante Delta da covid-19 e às restrições que a pandemia exige, os fundos do Plano de Recuperação e Resiliência poderão ser uma espécie de balão de oxigénio. O plano nacional foi ontem validado na última etapa de aprovação. Boas notícias para Portugal!

Rosália Amorim

Toalha ao ombro, teste no bolso

Cada fim de semana, cada experiência de gestão pandémica. Os portugueses têm de voltar, uma vez mais, a adaptar-se aos novos horários e às novas regras. Já não precisam de ficar retidos na Área Metropolitana de Lisboa, mas, caso queiram ir dormir ou comer fora, têm de fazer-se acompanhar de certificado digital ou teste negativo. Como os testes em laboratórios de análises clínicas são dispendiosos para uma família média portuguesa e as farmácias continuam com filas de espera para realizar testes, o melhor é mesmo levar um autoteste no bolso e realizá-lo à entrada do hotel ou restaurante. É fácil imaginar as filas às portas desses estabelecimentos, em pleno mês de férias. Impõe-se uma nova rotina para, diz o governo, não fechar a restauração. A ver vamos se resultará ou se, desta vez, os espaços vão encher apenas de segunda a sexta - dias em que não são exigidos quaisquer comprovativos de vacinação ou de testagem - e ficar às moscas durante todo o fim de semana. Em época de férias, os veraneantes não costumam sair de casa apenas ao fim de semana, daí que quer os cidadãos comuns quer os empresários tenham dificuldade em interpretar esta decisão.

Rosália Amorim

O melhor está mesmo debaixo dos nossos olhos

Os portugueses são sempre muito críticos em relação ao seu próprio país. Lá fora são os seus maiores defensores, e bem. Cá dentro, gostam tantas vezes de carpir. Mas, mesmo com a pandemia de novo num ponto alto de contágios por covid-19, a nação não perdeu as qualidades que já tinha em termos de requisitos que a fazem pontuar bem nos rankings da qualidade para viver. Por isso, os vistos gold continuam a ter procura. Ainda que tenha baixado o registo de pedidos devido à crise sanitária mundial, há ainda muitos interessados e, sobretudo, novas nacionalidades improváveis à procura de um lugar ao sol em Portugal. A este propósito vale a pena ler o artigo da jornalista Céu Neves. O atrativo está também na fiscalidade, claro. Mas esta não deixa de ser uma boa notícia para quem trabalha em construtoras e imobiliárias.

Rosália Amorim

Quarta vaga vai de norte a sul

Muito se tem falado na quarta vaga de covid-19 em Portugal, o próprio DN já avançou uma manchete com essa temática, além de outros artigos. A expressão "quarta vaga" tem sido evitada pelos responsáveis políticos, mas é o que temos mesmo à nossa frente. O diretor do Hospital de São João, no Porto, veio dizer que já não há dúvidas de que estamos perante uma quarta vaga, pois deparou-se com a subida de 40% a 50% de novos casos suspeitos de covid nas urgências do hospital. Em Lisboa a situação é crítica, no Algarve também e até no Alentejo estão a disparar os contágios.

Rosália Amorim

Os velhos do Restelo e os novos tempos em Belém

Termina hoje a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia (PPUE). Foram seis meses desafiantes em que muitos dos planos foram alterados por culpa da pandemia. As grandes conferências, os encontros de líderes, os momentos protocolares, passaram, tantas vezes, do ambiente presencial para o digital. Esta foi uma presidência em controlo remoto. Ainda assim, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva - hoje em entrevista ao Diário de Notícias -, dá nota das várias metas alcançadas, sem deixar de responder às críticas de que a PPUE tem sido alvo.