Urgências. Dois hospitais de Lisboa sem chefes

Em 24 horas, os chefes de equipa de duas unidades, Almada e Amadora-Sintra, demitiram-se. A razão é a mesma: falta de condições.

Primeiro foram os chefes de equipa e subchefes do Serviço de Urgência do Hospital Garcia de Orta que anunciaram a sua demissão. Foi na segunda-feira à noite, e nem a reunião realizada com a administração na manhã de terça-feira alterou esta decisão. Esta terça-feira, foram os chefes de equipa e subchefes das equipas do Serviço de Urgência de Medicina do Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra) a seguir o exemplo

. As razões são as mesmas: escalas com o mínimo de profissionais, o que coloca em "causa a qualidade assistencial e a segurança dos utentes", como referem os médicos do Amadora-Sintra numa carta enviada ao Sindicato Independente dos Médicos (SIM), e divulgada por este. Em 24 horas, duas das grandes unidades da Área Metropolitana de Lisboa perderam as chefias dos Serviços de Urgências.

O DN soube que a carta divulgada esta terça-feira pelo SIM já foi assinada na semana passada por 44 médicos, que se reuniram com a direção clínica, pelas 15.00. No final, todos se mantiveram demissionários.

O DN soube que a carta divulgada esta terça-feira pelo SIM já foi assinada na semana passada por 44 médicos, que se reuniram com a direção clínica, pelas 15.00, no sentido de discutirem a situação, mas que no final todos se mantiveram demissionários.

Os médicos argumentam na carta que "o hospital está a viver, uma vez mais, momentos de enorme dificuldade na nobre missão de prestar a melhor atividade assistencial à população que a ele recorre", sublinhando que olham para "o futuro com enorme preocupação e apreensão". Os mesmo médicos vão reunir esta manhã com os sindicatos para avaliar de novo a situação das Urgências.

Recorde-se que a nova equipa do Ministério da Saúde apresentou na semana passada um Plano de Contingência de Resposta ao Inverno, havendo desde logo 176 centros de saúde com horários prolongados para travar as idas sem justificação às Urgências hospitalares, mas, nestas duas unidades, parece não estar ainda a surtir qualquer efeito.

No caso dos profissionais do Garcia de Orta, os médicos que assinavam a carta dirigida ao diretor clínico, à presidente do conselho de administração e à diretora do Serviço de Urgência, explicavam que, na escala prevista, constam vários dias com um número de elementos abaixo dos mínimos para garantir o bom funcionamento do serviço.

"Não podemos, como chefes de equipa, assistentes hospitalares de Medicina Interna e médicos deste hospital, aceitar chefiar uma equipa de urgência nas presentes condições de trabalho e paupérrimas condições de prestação de cuidados no SUG".

Os chefes de equipa adiantavam ainda que a escala de dezembro, à semelhança das escalas dos últimos meses, normaliza uma equipa constituída por quatro elementos, número que consideram insuficiente para garantir os postos necessários para o bom funcionamento do SUG e a prestação de cuidados em segurança. Os médicos salientavam também que, entre estes quatro elementos, "muitas vezes estão contemplados colegas sem autonomia para exercer".

Segundo disse à Agência Lusa, o presidente do SIM, Roque da Cunha, os médicos que apresentaram a demissão reafirmaram uma posição já assumida há seis meses, quando alertaram também para "a incapacidade, impossibilidade e irresponsabilidade de manter uma Urgência aberta com uma escala que não é completa".

Com LUSA

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