Taxistas fazem marcha lenta contra a Uber

As duas associações que representam o setor, a Antral e a FPT, prometem endurecer a luta. Uber diz que opera legalmente

Os taxistas estão em protesto esta semana e vão ter o ponto alto da sua contestação na próxima sexta-feira, 29 de abril, com uma concentração de táxis no Parque das Nações às 8.00 e, a partir das 9.00, "uma marcha lenta até à Assembleia da República", onde querem ser recebidos "pelo primeiro-ministro", afirmou ao DN Florêncio de Almeida, presidente da Antral.

Os taxistas contestam o que chamam "concorrência desleal" dos serviços de transporte da Uber e prometem endurecer a luta "se a lei não for cumprida", ou seja, "se a Uber não deixar de operar, porque há duas ordens de tribunal que os proíbem de operar", diz Florêncio de Almeida.

Esta é uma contestação conjunta das duas associações representativas do setor dos táxis, a Antral (Associação Nacional dos Transportadores Rodoviários em Automóveis Ligeiros) e a Federação Portuguesa do Táxi (FPT), que representam cerca de 13 mil taxistas a nível nacional, oito mil dos quais em Lisboa, Porto e Faro.

Os protestos dos taxistas contra os serviços da Uber não são de agora, remontam a 2014, ano em que a empresa começou a operar em Portugal. Já houve uma marcha lenta de táxis que atravancou o trânsito em Lisboa e no Porto em setembro do ano passado e há dois meses, na praça do aeroporto, em Lisboa, os taxistas fizeram paralisação espontânea, depois de um incidente entre um dos taxistas e um motorista da Uber.

Na sequência do incidente, ao início dessa tarde, em que o taxista, depois de impedir o carro da Uber de prosseguir a marcha e de ter chamado a polícia, acabou por ser multado, os colegas na praça decidiram de imediato entrar em greve. Essa paralisação terminou seis horas depois, depois de os dirigentes da Antral e da FPT terem conseguido a promessa de uma reunião com o Governo.

Entretanto, em março, o ministério do Ambiente, que tutela os transportes, apresentou um pacote de dez medidas para a modernização do setor do táxi, com um investimento de cerca de 17 milhões de euros. Os taxistas, porém, consideram que se trata de uma moeda de troca para abrir a porta à regulamentação da Uber. E, para as associações, a solução passa pela imediata suspensão da Uber. "A partir de segunda-feira [2 de Maio], faremos protestos diários até a Uber parar, ou se tornar legal, com o respetivo alvará de transporte de passageiros", resume Florêncio de Almeida.

Contactado pelo DN, o porta-voz da Uber, Francisco Teixeira, afirmou ao DN que a empresa "não vai falar nesta altura", e remete para os comunicados já divulgados pela empresa. Ali se refere que "a Uber opera apenas com prestadores de serviço licenciados de acordo com a legislação em vigor", que são "Táxis Letra A, Táxis Letra T, operadores turísticos e empresas de rent-a-car, parceiros que já operavam em Portugal antes da chegada da Uber ao mercado" em Portugal. Quanto a impostos e seguros, a Uber diz que tudo decorre de acordo com a legislação portuguesa.

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