Sindicato diz que retirar a investigação ao SEF põe em causa combate ao tráfico de seres humanos

Sindicato dos investigadores do SEF teme pela segurança dos países da União Europeia e pela eficácia do combate às redes transnacionais de tráfico de seres humanos

O Sindicato dos investigadores do SEF considera que retirar a investigação criminal ao serviço, como pretende o Governo, coloca em causa a segurança dos países da União Europeia e o combate às redes transnacionais de tráfico de seres humanos.

"Há uma coisa que tem de ficar clara: A única polícia que tem competência, know how e reconhecimento internacional no controlo de fronteiras, no combate ao tráfico internacional de seres humanos, redes de criminalidade transnacional e na proteção de vítimas de tráfico de seres humanos é o SEF", afirmou esta sexta-feira à Lusa o presidente do Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SCIF/SEF), numa reação à notícia do Diário de Notícias sobre a extinção do SEF e a passagem da investigação para a PJ.

Há um plano, já apresentado ao Conselho Superior de Segurança Interna (CSSI), que transfere a investigação criminal do SEF para a PJ, e as restantes funções policiais para a GNR e PSP, passando o SEF a chamar-se Serviço de Estrangeiros e Asilo (SEA) com a responsabilidade da parte burocrática dos pedidos de asilo e de nacionalidade, os pareceres sobre os vistos consulares e as autorizações de residência.

Para o sindicato, esta restruturação coloca em causa a segurança dos países da União Europeia, o combate às redes transnacionais de tráfico de seres humanos e a proteção das vítimas, tendo decidido que vai contactar os principais partidos da oposição "para os mobilizar para o crime de lesa-Estado que António Costa está a preparar: contra o Plano de extinguir o SEF".

"Desmembrar o SEF é contra a tendência Europeia de especialização de polícias. O Governo está ceder ao facilitismo e a querer deitar fora a estrutura que em Portugal melhor assegura a segurança do país e dos Estados da União Europeia", sublinha o SCIF.

"O tempo de hoje é de serviços e de forças de segurança mais reduzidos, com melhores competências, com mais tecnologia, com melhor gestão dos seus agentes ou inspetores pelas respetivas hierarquias", remata o sindicato.

De acordo com o plano, segundo o jornal, o Governo quer entregar à PSP o contrlo das fronteiras portuárias e aeroportuárias e os trâmites da expulsão de estrangeiros, em situação ilegal ou com condenações judiciais, do território nacional, enquanto a GNR terá como novas atribuições a fiscalização das fronteiras terrestres e marítimas e a participação nas operações conjuntas de controlos móveis na fronteira, com as autoridades espanholas.

O sindicato acusa o primeiro-ministro de uma "fuga para a frente", após o "acontecimento dramático, mas isolado" que foi a morte do ucraniano Ihor Homeniuk, em março de 2020 no aeroporto de Lisboa, quando estava sob custódia do SEF que levou à acusação de três inspetores de homicídio qualificado, com a eventual cumplicidade ou encobrimento de outros 12 inspetores e cujo início do julgamento está marcado para dia 20.

Em dezembro de 2020 e após a polémica que envolveu a atitude do Governo perante a morte do cidadão ucraniano e que levou à demissão da diretora do SEF Cristina Gatão, foi nomeado o ex-comandante-Geral da GNR Luís Francisco Botelho Miguel como diretor do serviço.

Na altura, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, anunciou no parlamento que a legislação sobre a restruturação do SEF seria conhecida em janeiro.

Esse processo esteve no centro de outra polémica, entre o diretor nacional da PSP, Magina da Silva, e Eduardo Cabrita, quando o responsável da força policial admitiu que estava a ser trabalhada a fusão da PSP com o SEF, no final de um encontro com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. O ministro respondeu que a reforma do serviço seria anunciada "de forma adequada" pelo Governo "e não por um diretor de Polícia".

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