Silicon Valley: "Terra do Nunca empresarial" ou culto fascista cheio de sociopatas?

Antigo trabalhador do Facebook relata as suas experiências de 2011 a 2014, revelando a "podridão" que diz caracteriza os bastidores da gigante da internet

Antonio García Martínez trabalhou em Wall-Street, foi conselheiro no Twitter e... sufocou, desde 2011, no Facebook. Aos 40 anos, o homem que diz ter sido despedido por Zuckerberg por insubordinação compara agora a gigante rede social a um regime fascista, onde a propaganda, a vigilância e o exagero são constantes.

Chaos Monkeys: Obscene Fortune and Random Failure in Sillicon Valley (Macacos do Caos: Fortuna Obscena e Falhanço Aleatório em Silicon Valley, numa tradução literal) é o nome do livro em que revela os bastidores da "Terra do Nunca empresarial."

"Silicon Valley é como um drama da máfia com comportamentos agressivos e negociações por debaixo da mesa. Por detrás de um exterior cuidado (...) há muitas facas nas costas, que jamais são discutidas publicamente", escreve Martínez no seu novo livro, segundo o The Telegraph. A obra de 499 páginas relata a experiência do autor entre 2010 e 2014, no mundo da tecnologia.

García Martinez ousa ainda comparar a propaganda do regime de Fidel Castro aos panfletos e cartazes projetados pelos Facebook para cultivar o espírito de equipa, caracterizando os trabalhadores desta empresa como "crentes" que não olham a meios para atingir o desejado fim: a conversão de todos - crianças, homens e mulheres - à rede social.

Para o homem que em 2011 vendeu a sua própria startup ao Twitter, os colaboradores do Facebook parecem seres insensíveis viciados no trabalho e focados no seu próprio umbigo. Estagiários que dormem em salas de reuniões, trabalhadores que escrevem código na casa de banho, jovens elitistas que ignoram o mal do próximo desfilam nas páginas de Chaos Monkeys e nos corredores da empresa de Zuckerberg.

"Estava emocionalmente desgastado no final. Ganhei 13 quilos, mal via os meus filhos e sofri com duas relações falhadas. A minha vida estava uma completa confusão", conta.

Segundo Martínez, pelo espaço colorido e aparentemente descontraído dos escritórios do Facebook passeiam-se "sociopatas de sweatshirt com capuz" completamente focados no mundo digital. Às mulheres, é mesmo imposto um código de vestuário rígido, para que os colegas não se distraiam. Acumular um ou dois milhões de dólares ao fim de quatro anos de trabalho tão duro é, por isso, prática corriqueira, num universo onde o ressentimento e a inveja são traços dominantes.

Segundo reporta o mesmo jornal britânico, 84% dos trabalhadores de Silicon Valley já foram considerados demasiados agressivos, 87% sofreram com comentários degradantes de colegas masculinos e 90% testemunharam comportamentos sexistas. Terá Chaos Monkeys um fundo verdadeiro?

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