Sete estudantes detidas pela PSP em protesto na reitoria da Universidade de Lisboa

A reitoria da Universidade de Lisboa explica que "um grupo de sete manifestantes recusou-se a abandonar" o edifício, pelo que foi chamada a PSP. Os ativistas pelo clima invadiram a reitoria, grafitaram a fachada principal e alguns painéis de uma exposição.
Publicado a
Atualizado a

Um grupo de ativistas pelo clima "forçou a entrada" na reitoria da Universidade de Lisboa, que acabou por chamar a PSP ao local. Sete estudantes foram detidos. O protesto aconteceu esta sexta-feira e foi levado a cabo pelo movimento Fim ao Fóssil/Greve Climática Lisboa.

Em comunicado, a reitoria da Universidade de Lisboa explica que, durante a tarde de hoje, "um grupo de 'ativistas climáticos' forçou a entrada" do edifício e recusou-se a abandonar o local, tendo sido pedida a intervenção das autoridades.

A reitoria refere que o grupo de estudantes era composto por "cerca de 20 ativistas que, após terem sido recebidos por um membro da equipa reitoral, se furtaram ao diálogo".

"Após terem grafitado a fachada principal do edifício da Reitoria, invadiram os espaços onde está patente uma exposição alusiva à Universidade. Tendo grafitado alguns painéis da exposição, um grupo de sete manifestantes recusou-se a abandonar o espaço", relata a reitoria na nota divulgada.

Perante esta situação, "o reitor solicitou a intervenção da PSP que, sem a utilização de violência, isolou o espaço, procedeu à identificação dos invasores e garantiu que os mesmos abandonassem o átrio da Reitoria".

O grupo fez saber, por volta das 20:00, nas redes sociais que "sete estudantes foram detidas na ocupação da reitoria da UL pelo fim ao fóssil e contra a repressão do movimento estudantil", dando ainda conta que as ativistas estavam detidas na esquadra da PSP dos Olivais, para onde foi convocada esta noite uma vigília de solidariedade.

"A ULisboa considera que não é com violência, vandalismo e destruição de propriedade, incluindo património público classificado, que esta luta poderá ter sucesso", lê-se no comunicado da reitoria.

É ainda referido na nota que a "Universidade de Lisboa e as suas Escolas, desde há muitos anos, têm tomado inúmeras iniciativas no âmbito da luta contra as alterações climáticas, não só através das suas atividades científicas, como de iniciativas de ensino e de divulgação desta problemática".

A Universidade de Lisboa dá ainda conta de "múltiplas tentativas, infrutíferas, de diálogo com diferentes grupos de ativistas climáticos com vista à participação da Universidade na discussão desta problemática."

Em comunicado, o movimento Greve Climática Estudantil de Lisboa refere que "várias dezenas de estudantes" se manifestaram hoje à tarde em frente à reitoria da UL em protesto contra os combustíveis fósseis, "invadiram o edifício e pintaram a fachada", tendo um dos vice-reitores falado com os estudantes "no exterior".

Esta semana, protestos pelo clima em duas faculdades de Lisboa levaram à detenção de nove estudantes, tendo o PCP e o Livre questionado, por escrito, o Governo sobre as intervenções policiais.

Na madrugada de segunda-feira, seis estudantes foram detidos por se recusarem a sair da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, que tinham ocupado em defesa do clima.

Os estudantes acusaram a polícia do uso de violência e insultos, acusações que a PSP não comentou.

De acordo com o movimento Greve Climática Estudantil de Lisboa, as jovens estavam a dar uma palestra sobre ação climática à qual assistiam várias dezenas de estudantes da faculdade. Duas das jovens foram detidas por estarem a dar a palestra e uma foi detida por estar a assistir.

A Faculdade de Psicologia esclareceu que chamou a polícia por se terem esgotado as "soluções internas", nomeadamente para desimpedir o acesso às aulas, adiantando que "não estava prevista ou agendada qualquer palestra para aquele espaço ou qualquer outro".

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt