Reconhecer a "Dona Antónia" da era moderna

Todos os anos são distinguidas duas mulheres que personifiquem os valores e as características da "Ferreirinha". Este ano Maria João Avillez, jornalista de política, foi galardoada com o Prémio Consagração.

Começou aos 17 anos e nunca mais parou. Maria João Avillez viu a sua carreira reconhecida ao ser galardoada com o Prémio Consagração, atribuído pelos Prémios Dona Antónia.

Um prémio que, para a jornalista de política, pretende recompensar a energia, o trabalho, o mérito. Vencedora da 34.ª edição Maria João Avillez afirma ter sido talvez a maior alegria, para além de ter visto ser reconhecido o seu trabalho, foi o de ter tido um prémio com um nome feminino. "E que nome", acrescentou, lembrando que Dona Antónia Adelaide Ferreira é um exemplo em muitas áreas. "Fiquei muito orgulhosa e muito contente de ter um prémio com o nome feminino, o nome de uma das mulheres que mais admiro, Dona Antónia Adelaide Ferreira". E basta pesquisar um pouco sobre a sua vida para perceber que ela "é em tudo um exemplo". Além de ter feito "um trabalho extraordinário pelo Douro vinhateiro era, também, uma grande benemérita". Ou seja, "há muitas facetas da personalidade dela que me agradam muito", confessa Maria João Avillez.

Esta é a segunda vez que uma jornalista é galardoada com este prémio. O que acaba, também, por ser um reflexo da media portuguesa que, como refere Maria João Avillez já tem uma percentagem fortíssima, impressiva e eloquente de trabalho feminino. E este é um mundo onde Maria João Avillez se sente à vontade. Mesmo os livros que publicou "tiveram diretamente a ver com a minha experiência e a minha profissão", acrescentando que "há uma gaveta que diz jornalismo e eu estou lá metida dentro".

Assume-se como uma "perguntadora" e diz que é por isso mesmo que é jornalista. Aproveita todas as interações do dia-a-dia para saber um pouco mais. Seja uma nova perspetiva, uma nova opinião... "um jornalista nunca pode parar de perguntar". A par, claro, de saber ouvir, nomeadamente a direção do que acabou de ouvir.

"Ao darmos a conhecer as histórias destas mulheres também estamos a potenciar este efeito de inspiração noutras mulheres", diz administradora da Sogrape.

Para quem está a pensar entrar no mundo do jornalismo a agora galardoada recomenda muito trabalho. Trabalho. Trabalho. E humildade. Para se conseguir praticar um jornalismo digno. Principalmente quando é uma situação de tragédia.

Maria do Carmo Teixeira Bastos, cofundadora e presidente da Young Parkies Portugal, a Associação Portuguesa de Parkinson Precoce, foi também vencedora, neste caso, do Prémio Revelação. No seu discurso de agradecimento mencionou ter sentido uma mistura de sentimentos. De início surpresa e emoção e, depois, de responsabilidade e de motivação. "A surpresa e emoção são indescritíveis porque a Dona Antónia é um exemplo extraordinário do que é transformar dificuldades em oportunidades, do que é ter sentido de visão estratégica, colocando as pessoas sempre em primeiro lugar". E foi com esse sentido que foi criada a Young Parkies Portugal, que tem uma abordagem multidisciplinar, com o objetivo de capacitar as pessoas com Parkinson Precoce, num contexto de segurança e motivação para ter em uma vida mais completa e ativa. Para a executiva o receber este prémio funciona como um incentivo para promover os valores da Dona Antónia.

Como tudo começou

Os prémios surgiram na sequência da aquisição da Ferreira pela Sogrape que manifestou a vontade, apoiada pela família - os descendentes da Dona Antónia - de criar este prémio para, de alguma forma, perpetuar o legado e o exemplo da Dona Antónia. "O prémio desde a sua génese tem este objetivo", afirma Raquel Seabra, administradora executiva da Sogrape. De, todos os anos, reconhecer, distinguir, uma mulher que personifique os valores e as características da Dona Antónia.

Sobre o que mudou ao longo do tempo? Talvez a consciência de que ao distinguirmos duas mulheres estamos não só a impactar a vida das galardoadas - ou seja, um impacto direto - mas também o dizer que estas mulheres são um modelo a seguir. "Há um efeito multiplicador, ao darmos a conhecer as histórias destas mulheres também estamos a potenciar este efeito de inspiração noutras mulheres", reconhece a administradora da Sogrape.

As candidaturas surgem de sugestões, de contactos na rede de contactos, na análise continua no mercado. É feita uma seleção prévia e ao júri chega uma lista de cerca de 10 nomes. Sendo que é sempre "uma escolha muito difícil". É certo que as não vencedoras passam para a lista do ano seguinte. O problema, reconhece Raquel Seabra é que entretanto surgem novos nomes. "Isto só demonstra que o terreno é fértil", aponta a administradora da Sogrape, que acrescenta que o prémio reconhece mulheres que combinem espírito empreendedor com um sentido de serviço, que já tenham algum trabalho com impacto na sociedade. Não se trata de ter um perfil meramente profissional. A acompanhar todo o trabalho benemérito da Dona Antónia também se pretende que as galardoadas tenham impacto social.

Sobre o futuro a resposta é imediata. "Queremos trabalhar para chegar a mais mulheres", afirma Raquel Seabra, que refere que estão em conversações com instituições de ensino no sentido de disseminar e alargar o alcance do prémio.

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