Portugueses são dos que mais vão comer fora

Portugal ocupa a quinta posição em lista formada por 33 países. Os preços razoáveis são os que mais atraem os consumidores

Os portugueses são dos europeus que mais comem fora de casa, à frente de povos como os franceses ou os espanhóis. Quase um quarto (23%) da população portuguesa faz uma das principais refeições do dia fora de casa pelo menos uma vez por semana, enquanto 15% recorrem às entregas ao domicílio com a mesma frequência. A conclusão é de um relatório desenvolvido pela consultora Nielson, ao qual o DN teve acesso, e que coloca o nosso país em 5.º lugar na lista dos que mais vezes vão a restaurantes.

Para elaborar o documento denominado "Global Out-of-home dining survey" a consultora entrevistou 16 mil pessoas de 33 países. A lista é liderada pela Turquia e pela Áustria, seguindo-se a Suíça, a Bulgária, Portugal, a Suécia e a Eslováquia. Espanha, República Checa e Irlanda completam o top 10. Em sentido inverso encontra-se a Ucrânia - onde apenas 33% das pessoas comem fora pelo menos uma vez por mês - a Croácia (38%) e a Holanda (42%). O estudo refere ainda que a existência de preços razoáveis é o fator que os consumidores portugueses mais consideram na escolha de um restaurante.

Uma conclusão que não surpreende Pedro Carvalho, do Departamento de Estudos da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares (AHRESP), que afirma que "Portugal é dos países onde os preços na restauração é dos mais baixos". "Estamos perante uma inversão do clima de crise, que provocou - entre 2012 e 2013 - prejuízos de 1,2 mil milhões de euros", disse o mesmo responsável. Pedro Carvalho refere que "estamos no início da recuperação do poder de compra, sendo natural que pelo menos uma vez por mês o consumidor português faça uma refeição fora de casa".

No que diz respeito ao tipo de refeições, os portugueses, em conformidade com a média europeia, preferem o jantar (68%). Esta "é uma ótima notícia para Portugal, uma vez que o ticket médio de jantar é superior ao de almoço", considera Jorge Macôr de Brito, retailer services associate manager da Nielsen. Apesar dos números benéficos para o setor da restauração, Pedro Carvalho diz tratar-se de "uma recuperação ténue no consumo, onde os hábitos anteriores à crise económica que afetou o país estão ainda em recuperação". "Ainda não podemos falar de pré-crise. No período anterior à austeridade havia um maior consumo fora do lar. No decorrer da crise, muitos portugueses optaram pela marmita. Um hábito que ainda se mantém", explica.

Nos últimos seis meses, os portugueses optaram essencialmente por restaurantes casuais (63%), restaurantes de refeições rápidas/fast-food (58%), cafés (41%) e restaurantes formais (33%), seguindo a tendência da média europeia. A existência de preços razoáveis é o fator que os consumidores portugueses mais consideram na escolha de um restaurante ou outro estabelecimento (68%), seguindo-se a qualidade (43%) e o serviço (23%). Estas características também são valorizadas pela média dos consumidores europeus, embora em escalas mais reduzidas (60%, 36% e 17%, respetivamente).

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