A população portuguesa está preocupada com a desinformação. Entre os pares lusófonos, Portugal é o país com o maior índice de preocupação nesta matéria (83%), seguido do Brasil (80%). Ao mesmo tempo, 46% consideram que a desinformação causa “alguns problemas” e 42% atribuem-lhe maior gravidade. O dado consta do inédito Barómetro da Lusofonia (escrito em português do Brasil), que avalia a cultura, a sociedade e as instituições nos países de língua portuguesa. O estudo foi criado e coordenado pelo cientista político brasileiro Antonio Lavareda.A apresentação desta investigação realizou-se esta quarta-feira, 28 de janeiro, na sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em Lisboa. Além da preocupação com a desinformação, a imigração é vista como um problema, sendo Portugal o único país da CPLP que vê a presença de imigrantes desta forma. Apenas em Portugal a perceção de que o ambiente social do país é desfavorável aos imigrantes supera a impressão de favorabilidade (52% contra 43%). O tema surge como um dos problemas nacionais mais relevantes, com 17% de citações espontâneas na investigação.O barómetro apresenta algumas hipóteses que explicam o fenómeno. “Esse resultado pode ser compreendido à luz de tensões recentes associadas ao rápido crescimento da população estrangeira no país, bem como à maior visibilidade do tema migratório no debate público, num contexto europeu marcado pela expansão de discursos políticos radicais, críticos à imigração”, consta no documento.Os portugueses são também os lusófonos menos otimistas em relação ao futuro. De acordo com o estudo, 49% da população nacional acredita que o país “não vai se alterar” nos próximos 12 meses, enquanto 26% aposta numa melhoria e 24% prevê um agravamento. São os índices mais pessimistas, quando comparados com os dos restantes países que compõem a CPLP.O documento apresenta uma explicação para esta “cautela” de Portugal. “Esta atitude cautelosa pode estar ancorada em referências ambivalentes: apesar dos bons indicadores socioeconómicos, relatórios da Comissão Europeia e do Fundo Monetário Internacional em 2024 apontam limitações persistentes ao potencial de expansão da economia portuguesa, associadas a fatores como baixa produtividade, envelhecimento populacional e restrições ao investimento. Esse quadro pode contribuir para uma perspectiva menos orientada a expectativas imediatas de transformação e mais voltada à gestão de limites percebidos e à projeção de aspirações de longo prazo”, lê-se. Para efeitos de comparação, Timor-Leste, o único país asiático da Comunidade Lusófona, é o mais otimista de todos: 87% dos timorenses afirmam que o país vai “melhorar muito/melhorar”, enquanto apenas 1% são pessimistas.Mas há dados semelhantes noutras matérias. As principais preocupações dos cidadãos da CPLP são as mesmas: saúde, educação e desemprego, definidos como “a tríade de desafios dos países da Comunidade Lusófona”. As preocupações centrais incidem na qualidade dos serviços públicos e nas condições de inserção económica. Seguem-se as preocupações com a violência e a inflação.De acordo com Antonio Lavareda, o novo estudo traz dados para debates comuns, porque “transforma a língua comum em instrumento de compreensão compartilhada e em base empírica para o diálogo público, oferecendo dados sistemáticos capazes de sustentar análises qualificadas, comparações consistentes e debates informados”.Foram entrevistadas 5400 pessoas, com uma metodologia híbrida, que incluiu entrevistas presenciais, telefónicas e online. As amostras foram definidas com base na população adulta de cada país. A pesquisa foi realizada pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Económicas (Ipespe) e com apoio institucional do e conta com o apoio institucional da CPLP, do Ministério da Cultura do Brasil, da Missão do Brasil junto à CPLP, da AULP, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), da Fundação Itaú, da FGV Conhecimento, da Fundação Joaquim Nabuco e da Universidade de Coimbra.amanda.lima@dn.pt.Desinformação sobre eleições presidenciais já soma mais de 7,7 milhões de visualizações.Autárquicas. Portugal alvo de desinformação sobre partidos e candidatos imigrantes